Belas Palavras!!!!!!

Muito se fala da, e enfatiza a, dignidade dos homens. Via de regras a dignidade de Deus não é levada em conta por estes arautos.

Tem me pasmado também ao perguntar, a pessoas tidas como salvas, o que consideram seus credenciais para entrar no céu.

Depois de longas experimentações com reformulações da mesma pergunta, dificilmente chegava a uma resposta conclusiva.

Alguns até respondiam, e estes até eram pastores, que uma noite inteira de explicações não seria suficiente para darem uma resposta definitiva sobre os motivos pelos quais herdariam o reino de Deus, a vida eterna!

Membros batizados em igrejas evangélicas não sabiam porque Jesus Cristo morreu!

Pensei que era apenas falta de conhecimento da Palavra de Deus que deixa as perguntas sem resposta e não suspeitei que uma teologia estava na raiz do problema até que participei de cinco palestras sobre: "Entendendo o Antigo Testamento".

Me lembrei de Paulo escrevendo aos romanos: " ...com belas palavras e lisonjas enganam os corações dos ingênuos. Ro. 16:18b

O leitor tire as suas próprias conclusões das citações e comentários abaixo e que a dignidade dos homens se miche para que a dignidade de Deus possa ser mantida!

 Comentários e Implicações Sobre as Apresentações, no Período da Noite, do Dr. Elmer Martens no ISBIM

22 – 26 de Julho de 2002  

O abaixo se refere, basicamente, às apresentações da 2ª, 4ª e 6ª feiras.

Para quem quiser conferir:

As apresentações foram gravadas em vídeo e podem ser adquiridas de Adolf C. Krüger 55 (041) 278 2260

 Apresentação: 

1-    Martens: A obra de Deus é tão grande que não é possível um grupo apenas viver a sua plenitude. (Escritas no quadro)

Reformadas – enfatizam Deus Pai

Luteranas – O Filho

Pentecostais – O Espírito Santo

Anabatistas  - O Filho

Os católicos – Nos ensinam como chegar a Jesus (foram mencionados apenas verbalmente).

 Comentário: Isto é um modelo inconfundivelmente próximo por demais ao: Cada religião representa uma parte da verdade de Deus, todas juntas representam a verdade toda.

 2-    Martens: A interpretação deve levar em conta também o grupo (subentende-se, também, os acima) no qual se vive.  

Comentário: Isto é teologia situacionista.

  3-    Martens: Não se deve ler afirmações (científicas) para dentro da Bíblia o que a Bíblia não pretende afirmar.

  Comentário: Está correto em parte, mas quem, ou como, se decide o que ela quer afirmar? Martens deixou transparecer que o relato da criação não é científico nem crível.

  4-    Martens diz que tem restrições sobre afirmações bíblicas de interface com a ciência.

  5-    Martens: Crê que a Bíblia é a inspirada e infalível Palavra de Deus, nos originais, não errante mas, o que não implica que não tenha erros!

  Comentário: Se ela o é nos originais, dos quais não dispomos mais, como podemos saber que ela pode conter erros?  

6-    Martens: Não é o sacrifício que expia o pecado e sim a atitude de submissão e para com o sacrifício. I. Sam 3:14.  

7-    Martens pergunta e responde: Há outros caminhos senão sacrifício? Sim. Israel peca Moisés ora e Deus perdoa. Houve sacrifico? Não. Jesus cura e declara o perdão. Houve sacrifico? Não. Não pelo sacrifício mas pela atitude para o sacrifício. Cita ainda os filhos de Eli que sacrificaram em vão pelo perdão – pecado para a morte.  

8-    Martens: Deus pode perdoar livremente, sem sacrifício. É o ato declaratório de Deus que perdoa pecados, sem ou com sacrifício. Jesus não falou: Teus pecados te estão perdoados? Houve sacrifício? Jesus já tinha morrido? Não. O que conta é a declaração de Deus: Teus pecados te estão perdoados. Sem sacrifício.  

9-    Martens: Há duas manifestações/ ênfases de salvação  

                                              Intervenção    -     Redenção

                  Questão               Poder                   Culpa

                  Modelo                 Guerra                Sacrifício

                  Esfera                   Política                Culto

         Cita as experiências missionárias na África e pergunta qual o modelo apropriado para o Brasil?

  Comentário: A Bíblia desconhece isto.  

10-                      Martens: Há duas maneiras de se pensar sobre a salvação:

1- Você está dentro – salvo, ou você está fora.

2- Não sabemos se uma pessoa está salva da mesma forma como não sabemos quando uma maçã está totalmente madura. Ela vai mudando de cor até ficar madura. Talvez deveríamos pensar neste sentido sobre a vida cristã. II Cor 8:8-11. Quanto maduro é salvo? Só Deus sabe. A decisão à partir de qual momento a pessoa é salva devemos deixar para Jesus.  

Comentário: Este raciocínio não permite alguém ter certeza da salvação.

Isto me lembra, também, de uma pregação de um pastor Irmãos Menonitas, sobre as Dez Virgens. O óleo, segundo a interpretação deste, representa, o grau de espiritualidade. Uns, disse este pastor, tem espiritualidade que alcança apenas os seus tornozelos, outros a cintura, ainda outros o nariz. Os ouvintes foram, então, perguntados se já tinham espiritualidade suficiente para entrar no reino de Deus.

         Soa familiar? Este pastor foi bom aluno!

         Outro aspecto sobre as duas formas de pensar sobre a salvação induz a aceitar a doutrina de salvação dos católicos, ou seja, através dos sacramentos, paulatinamente, e sem saber quando se obteve a salvação. Aliás, afirmar que se tem certeza da salvação é blasfêmia para o catolicismo.  

11-                      Martens: Os Judeus mantém que Deus ensinou a Abrão, através do sacrifício de Isaac, que não se deve sacrificar pessoas humanas e acusam os cristãos de manterem uma teologia que exige que Deus sacrificasse o seu próprio Filho, mantendo o sacrifício de Isaac como ante-tipo.

  Comentário: É isto um dos motivos que leva Martens a considerar o sacrifico de Jesus Cristo desnecessário?.

  12-                      Martens: Tabenáculo ocupa 15 capítulos, a criação apenas 3. Qual é mais importante? Martens pergunta e responde: Obviamento o Tabernáculo é muito mais importante.

  13-                      Martens: Diferentes motivos para louvar a Deus

a-    Olhando para você mesmo – auto estima

b-    No convívio com a família

c-     No testemunho com os outros – Como? Resposta da platéia (EW): Ao elevar a auto-estima dos outros.

d-    Martens complementa: Nós precisamos ter uma boa opinião sobre nós mesmos. Ao testemunhar para as pessoas convidamos elas a mostrar-lhes sua dignidade que tem perante Deus.

14-                         Martens: Regra; Para cada crítica faça dois elogios.

15-                      Martens: A Bíblia foi escrita e interpretada, basicamente, por homens. É louvável que mais e mais mulheres começam também a interpretar, especialmente, o VT.

  1ª Pergunta por mim encaminhada, por escrito: “Como ficou a auto-estima de Pedro depois da repreensão de Jesus: “Atrás de mim satanás, ...”. ?

Tem alguma citação na Bíblia que Deus veio a este mundo porque o nosso valor é tão grande? (A não ser uma interpretação forçada de uma passagem que se refere a Israel. (Is. 43:1 e 4) Assim mesmo o final do vers. 4 deixa claro que este valor se aplica somente a Israel e em morte ao resto da população do mundo!

Que o Seu amor é tão grande para vir a este mundo nos é transmitido em Jo. 3:16.

Deduzir desta citação que Deus veio ao mundo porque o homem tem tanto valor não é, por acaso, teologia sistemática moderna?

Suspeito que estamos confundindo/trocando “o grande amor de Deus”  pelo “grande valor dos seres humanos(caídos), de nós mesmos”. “  

                  Obs.: A pergunta não foi lida em público. Dr. Martens apenas resumiu em poucas palavras do que a pergunta tratava. Idem para 2ª pergunta.  

         Resposta por Martens: Não consegui entender muito bem o que se pretendia perguntar mas são ambos: O grande amor de Deus e o nosso valor.

  2ª Pergunta minha:” “Considere primeiro dois elogios, sem espaço para aqui citar.

Só pelo motivo de Ele ser Deus Ele pode, de fato, perdoar imotivadamente, sem justificar os seus atos de misericórdia, sem sacrifício, só pela sua declaração: “Teus pecados te serão perdoados”?

O “agradou a Deus moê-lo, fazendo-o enfermar; quando sua alma se puser por expiação do pecado, ... “(Is. 53:a10) por acaso, não transformaria Deus em um assassino?

Se Ele pode perdoar por declaração a morte de Jesus Cristo era desnecessária.

Nestes dias se reúne o conselho mundial das igrejas com a finalidade de reduzir a importância de Jesus Cristo no cristianismo, a pedra de tropeço do cristianismo. O seu sacrifício na cruz é o centro de ataque por ser este único entre as religiões. O objetivo é aparar as arestas do cristianismo para aproximar a fé cristã às demais religiões?

Proponho reconsiderar este seu ponto de vista, aquele que não requer obrigatoriamente o sacrifício de Jesus Cristo para podermos obter o perdão de Deus, sob pena de conseqüências devastadoras para a fé cristã.

Na verdade isto representa o fim da fé redentora no cristianismo!”

  Resposta de Martens: Eu afirmei isto em relação ao VT e também ao NT. Mas Deus fez isto sempre em vista ao sacrifício de Jesus, mas, o perdão continua sendo concedido pela declaração de Deus: “Teus pecados te são perdoados.”

  Comentários. Martens concedeu, mas, não convenceu. Martens nivelou, equivaleu os sacrifícios dos animais com o sacrifício de Jesus Cristo, apenas de que este foi o último. A eficácia era idêntica para todos os sacrifícios, inclusive os de cereais. Mais ainda, pelo fato de Martens não retirar a afirmação de que Deus pode perdoar pecados sem sacrifício, sem procedimento justo, do jeito que ele quer, unicamente pelo fato de Ele ser Deus, a afirmação em si, queira ou não, contém embutida a condição de que Cristo não necessitava, forçosamente, morrer, e isto em si faz de Deus um assassino. Isto é tão difícil assim para compreender? Vide: Português: Dilema

Inglês: Dilemma . Mais, como eu posso saber que Deus me deu a palavra do perdão? Só olhando para o sacrifício de Cristo. Não há outra forma de se tomar conhecimento do perdão de Deus. Então afirmar que a palavra de Deus perdoa os meus pecados é inócua. Ninguém pode tomar conhecimento dela separado do sacrifício de Jesus Cristo!

16-                      No primeiro dia os participantes foram solicitados a escreverem num papel o título que dariam ao VT. No último dia Martens informou que uns 12 participantes escreveram: “A Vinda do Messias.”

Martens questionou: É disto que o VT trata? E ilustra: O Deus, o Salvador, etc. são os mesmos nos dois testamentos. O NT confirma, expande e complementa o VT.  O que é diferente nos dois? O NT relata pouco e o VT relata muito sobre povos, sexualidade e economia, idêntico aos noticiários da atualidade.

  Comentário: A criação, queda no pecado e retorno de Cristo não tiveram espaço nem foram considerados relevantes, nas apresentações. Considero os primeiros capítulos da Bíblia imprescindíveis para entender qualquer parte do resto da Bíblia, Velho e Novo Testamento. Não sei como poderia ser diferente. Creio ser este o ponto principal pelo qual se chega a conclusões tão diferentes. Não se entende justiça sem entender os primeiros capítulos da Bíblia.

  17-                      Martens informou que fez o doutorado em escatologia. Para ele há muito pouco espaço para o povo de Israel, aliás apenas um remanescente, nem expectativa do retorno de Cristo e não tem milênio. Ele afirmou que não há condições para se prever o futuro pela interpretação das passagens bíblicas. Só é possível ver o cumprimento das escrituras na retrospectiva. Prova disto foi a falta de identificação da primeira vinda de Cristo.  

Comentários finais:

Martens, obviamente, não está sozinho nesta cosmovisão. Suponho que o ponto central está no entendimento de justiça, mais precisamente na falta do mesmo.

O apresentador nos pretendia apresentar um fluxo da ação de Deus entre Israel com os povos para a sua ação com os povos, após pentecostes, sem jamais retomar a história com Israel. Até quando? Ficou incerto mas transparecia que seria até o juízo final.

Isto explicaria a falta de importância que se dá à criação, à queda do homem, ao procedimento do resgate e o retorno de Cristo, sim Jesus, propriamente foi citado muito poucas vezes e assim mesmo muito na periferia.

Isto também dá algumas dicas sobre atitudes para com a disciplina na igreja. Um exemplo para ilustrar.

É considerado um gesto de generosidade e nobreza de vida cristã quando alguém declarar o perdão a alguém sem que este o tenha solicitado.

Mas isto é correto?

Eu fui informado de um caso em que uma pessoa perturbada foi a um consultório de aconselhamento. Recorreram à regressão da memória. Lá no fundo do “inconsciente” o paciente relatou, em estado semi consciente, que ele foi abusado sexualmente pelo pai. Conscientemente este paciente não tinha conhecimento deste fato. Foi-lhe explicado que a memória freqüentemente apaga casos tão traumáticos, mas que o subconsciente manteve o registro verdadeiro, real, dos acontecimentos. Então o paciente foi solicitado a declarar o perdão ao pai, na ausência deste, para se livrar das perturbações.

O que você, caro leitor acha disto?

O acusado não teve oportunidade de se manifestar. O método é altamente questionável, para não dizer abominável e anti bíblico. O paciente continua pelo resto de sua vida olhando o seu pai como um monstro sexual. O pai não sabe de nada. Nem depois do perdão ele foi informado, muito menos solicitado a se arrepender.

Da mesma forma, qualquer que declarar o perdão a alguém deve primeiramente formular a acusação ao ofensor e demonstrar perante Deus e os homens, caso o próprio acusado não reconhecer a legitimidade da ofensa, de que houve de fato uma transgressão, então, sim, pode declarar o perdão.

Caso contrário se comete uma violência contra o “perdoado”! Se força sobre o acusado a sua versão particular do caso, que pode, ou não, ser correta. Estes perdoadores voluntários/gratuitos deveriam ser exortados e levados ao arrependimento pelos seus atos de violência.

Se alguém tem uma questão contra outrem ele deve levá-la ao conhecimento deste. Aguardar uma resposta do acusador.

Caso o acusador não consegue manter sua acusação ele deve pedir perdão pela ilegitimidade de sua acusação.

Isto é ser justo.

O outro procedimento é perverso, abjeto e vare os problemas apenas para debaixo do tapete.

Mantenho que o entendimento desta questão é absolutamente fundamental para a vida cristã e a compreensão da Bíblia como um todo. Ela está embutida no relato da queda do homem.

Isto parece estar faltando na raiz desta cosmovisão apresentada.  

Waldemar Janzen, 27 de julho de 2002

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