Em uma instrução de qualquer natureza, para que ela seja
eficaz, há necessidade de se definir os termos. Termos não
entendidos de maneira correta levam a resultados diversos dos objetivados
na instrução. A gravidade das conseqüências depende
do grau de seriedade ou responsabilidade do ato.
Simples desencontros de horário ou endereço, bolos “colapsados”
e até colisões de trens e aviões estão na lista
das fatalidades de definição ou interpretação
faltosa de termos.
Os termos do título acima, me parecem, estão passando
por imprecisão de definição além de confusão
na cabeça de muitos evangélicos.
Aliás, a confusão já começou. O termo “evangélico”
está totalmente esvaziado de significado e cada vez mais é
entendido por “explorador” religioso ao invés de cristão
bíblico. Ademais, hoje se está disposto a aceitar qualquer
coisa que tem o rótulo “evangélico”, mas este assunto para
uma outra vez.
Vamos pois aos nossos termos. O termo “conversão” nos é
muito familiar e usual mas também nos é preciso?
O termo é contido em numerosos sinais de tráfego, conversão
permitida ou negada, e tem o significado de mudança de curso ou
sentido de tráfego.
No sentido espiritual tem o mesmo significado, mudar de direção.
Abandonar a mentira e passar a falar a verdade, abandonar a embriaguez
e passar a ser sóbrio, não brigar mais e sim ser pacífico,
etc. A conversão não é ato único da vida e
sim uma prática de vida de cada cristão. Tão logo
seja convencido dos erros, dos pecados, pelo Espírito Santo, deve
converter-se deste mal e retornar ao curso reto perante o Senhor.
A reconciliação, por outro lado, é o ato do reparo
das conseqüências do pecado. No caso de um roubo, deve-se retornar
o roubado ou receber o perdão do resultado do roubo. Em ambos os
casos uma das partes sempre perde. No nosso caso com Deus, nós não
tínhamos o que oferecer de resgate por isso Deus assumiu o “prejuízo”
e ofereceu o seu Filho unigênito como “reparo” do dano causado. Ele
teve que pagar com a vida porque o nosso débito era a morte.
Por isso, pode-se estar convertido sem ser redimido. Se reconheceu
o mal cometido, mudou-se de estilo de vida mas ainda não se aceitou
o reparo do mal cometido contra Deus, o qual é Jesus Cristo. Apesar
de às vezes, ou muitas vezes, se falar muito de Jesus, ele foi apenas
o motivador, a força superior e exemplo da conversão da mudança
de valores de vida mas não reconhecido como o remidor dos pecados.
Uma pessoa assim passa a adquirir um comportamento semelhante a um
cristão remido, usa vocabulário bíblico mas internamente
é um incerto, insatisfeito, não liberto e frustrado.
Eu escrevi isto em virtude de ter detectado este problema em “cristãos
de carreira”, no resultado das pregações e evangelizações
de muito amor pelo próximo mas pouca ênfase na justiça
de Deus e algumas conversas sobre o tema com um colega de trabalho pertencente
à Igreja Universal do Reino de Deus.
O resultado é cristãos que de fato não são
cristãos e uma superlotação das salas de aconselhamento.
Os pecados não foram deixados ao pé da cruz porque por lá
não se passou.
Pergunte a estas pessoas se elas tem conhecimento de um momento em
suas vidas onde assumiram a culpa pelos seus pecados e apelaram para o
perdão que só através de Jesus Cristo nos pode ser
concedido, e elas não entenderão do que você esta falando.
Se, por outro lado, você perguntar pelo momento em que tomaram
uma decisão de mudar de estilo de vida, se converteram, elas saberão
o que responder, e nós nos comovemos com o fato e passamos erroneamente
a considerá-las cristãos, batizando-as e engodando os nossos
fichários.
A parábola das dez virgens nos dá um retrato desta triste
situação.
Resumindo, poder-se-ia dizer que: Para ser salvo não se depende,
necessariamente, de poder definir com precisão os termos mas se
depende de passar pelo conteúdo que define os termos. Não
há conversão sem reconhecimento de ter errado, pecado, mas
há reconhecimento de ter errado sem conversão. Não
há reconciliação sem conversão mas há
conversão sem reconciliação. O reconhecimento de termos
pecado contra Deus, e que este pecado nos trás a condenação,
a morte, e que esta morte foi substitutivamente sofrida por Jesus Cristo,
nos é agraciada com a vida eterna.
Caro leitor, por acaso você se encontra nesta mesma situação?
Não perca mais tempo. Declare-se agora mesmo culpado pelos seus
pecados e irremediavelmente perdido e aceite o resgate por Jesus Cristo,
e vocês e tornará um redimido, nova criatura em Jesus Cristo,
filho de Deus, herdeiro da vida eterna.