CONVERSÃO RECONCILIAÇÃO
 Waldemar Janzen
Em uma instrução de qualquer natureza, para que ela seja eficaz, há necessidade de se definir os termos. Termos não entendidos de maneira correta levam a resultados diversos dos objetivados na instrução. A gravidade das conseqüências depende do grau de seriedade ou responsabilidade do ato.
Simples desencontros de horário ou endereço, bolos “colapsados” e até colisões de trens e aviões estão na lista das fatalidades de definição ou interpretação faltosa de termos.
Os termos do título acima, me parecem, estão passando por imprecisão de definição além de confusão na cabeça de muitos evangélicos.
Aliás, a confusão já começou. O termo “evangélico” está totalmente esvaziado de significado e cada vez mais é entendido por “explorador” religioso ao invés de cristão bíblico. Ademais, hoje se está disposto a aceitar qualquer coisa que tem o rótulo “evangélico”, mas este assunto para uma outra vez.
Vamos pois aos nossos termos. O termo “conversão” nos é muito familiar e usual mas também nos é preciso?
O termo é contido em numerosos sinais de tráfego, conversão permitida ou negada, e tem o significado de mudança de curso ou sentido de tráfego.
No sentido espiritual tem o mesmo significado, mudar de direção. Abandonar a mentira e passar a falar a verdade, abandonar a embriaguez e passar a ser sóbrio, não brigar mais e sim ser pacífico, etc. A conversão não é ato único da vida e sim uma prática de vida de cada cristão. Tão logo seja convencido dos erros, dos pecados, pelo Espírito Santo, deve converter-se deste mal e retornar ao curso reto perante o Senhor.
A reconciliação, por outro lado, é o ato do reparo das conseqüências do pecado. No caso de um roubo, deve-se retornar o roubado ou receber o perdão do resultado do roubo. Em ambos os casos uma das partes sempre perde. No nosso caso com Deus, nós não tínhamos o que oferecer de resgate por isso Deus assumiu o “prejuízo” e ofereceu o seu Filho unigênito como “reparo” do dano causado. Ele teve que pagar com a vida porque o nosso débito era a morte.
Por isso, pode-se estar convertido sem ser redimido. Se reconheceu o mal cometido, mudou-se de estilo de vida mas ainda não se aceitou o reparo do mal cometido contra Deus, o qual é Jesus Cristo. Apesar de às vezes, ou muitas vezes, se falar muito de Jesus, ele foi apenas o motivador, a força superior e exemplo da conversão da mudança de valores de vida mas não reconhecido como o remidor dos pecados.
Uma pessoa assim passa a adquirir um comportamento semelhante a um cristão remido, usa vocabulário bíblico mas internamente é um incerto, insatisfeito, não liberto e frustrado.
Eu escrevi isto em virtude de ter detectado este problema em “cristãos de carreira”, no resultado das pregações e evangelizações de  muito amor pelo próximo mas pouca ênfase na justiça de Deus e algumas conversas sobre o tema com um colega de trabalho pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus.
O resultado é cristãos que de fato não são cristãos e uma superlotação das salas de aconselhamento. Os pecados não foram deixados ao pé da cruz porque por lá não se passou.
Pergunte a estas pessoas se elas tem conhecimento de um momento em suas vidas onde assumiram a culpa pelos seus pecados e apelaram para o perdão que só através de Jesus Cristo nos pode ser concedido, e elas não entenderão do que você esta falando.
Se, por outro lado, você perguntar pelo momento em que tomaram uma decisão de mudar de estilo de vida, se converteram, elas saberão o que responder, e nós nos comovemos com o fato e passamos erroneamente a considerá-las cristãos, batizando-as e engodando os nossos fichários.
A parábola das dez virgens nos dá um retrato desta triste situação.
Resumindo, poder-se-ia dizer que: Para ser salvo não se depende, necessariamente, de poder definir com precisão os termos mas se depende de passar pelo conteúdo que define os termos. Não há conversão sem reconhecimento de ter errado, pecado, mas há reconhecimento de ter errado sem conversão. Não há reconciliação sem conversão mas há conversão sem reconciliação. O reconhecimento de termos pecado contra Deus, e que este pecado nos trás a condenação, a morte, e que esta morte foi substitutivamente sofrida por Jesus Cristo, nos é agraciada com a vida eterna.
Caro leitor, por acaso você se encontra nesta mesma situação? Não perca mais tempo. Declare-se agora mesmo culpado pelos seus pecados e irremediavelmente perdido e aceite o resgate por Jesus Cristo, e vocês e tornará um redimido, nova criatura em Jesus Cristo, filho de Deus, herdeiro da vida eterna.
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