2.0.0 - Resumo
A perfeição é parte intrínseca da existência
eterna de Deus. A sua pureza/santidade e justiça fazem parte dessa
perfeição. Impureza, por menor que seja, é incompatível
com o estado de santidade de Deus e exige ser removida da sua comunhão.
Depende-se da misericórdia de Deus para, alguém que tenha
deficiência de pureza, permanecer na comunhão com ele. No
seu ato de misericórdia, Deus não pode deixar de usar meios
justos e coerentes para arrancar alguém do destino justo dessa condenação,
em decorrência de sua justiça absoluta. O procedimento para
arrancar esse alguém dessa condenação não pode
ser determinado pelo réu e sim somente pelo próprio autor
da misericórdia, Deus. Em outras palavras, o caminho que leva a
Deus, só pode ser estabelecido pelo próprio.
2.1.0 - Axiomas
Axioma, segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa,
é: Princípio evidente, que não precisa ser demonstrado
(e não pode ser demonstrado). Exemplo: 1-infinito. 2- a auto-existência
de Deus, etc.
Meu filho Edgard teve certa ocasião uma discussão com
a sua professora de matemática sobre o infinito. Pelo fato de necessitarmos,
para os motivos conseqüentes, um conceito mais claro sobre a radicalidade
do absoluto, é importante refletirmos sobre um análogo, o
infinito, visto que esse é mais usual. A ponderação
do meu filho era a seguinte: Se o limite de qualquer número divido
por infinito é igual a zero, então o limite de infinito dividido
por infinito seria igual a um. A professora não concordou, argumentando
que depende do tamanho do infinito que você imagina. O maior deles
pode tanto ser o numerador como o denominador e por esta razão o
limite do quociente de infinitos é indefinido. Meu filho rebateu
com o argumento de que não é coerente imaginar o infinito
como sendo um número excepcionalmente grande. A verdade é
que, sem considerarmos a questão mencionada, não se exprime
o infinito com o conceito de grandeza e sim, mais corretamente, como algo
absolutamente infindável e intangível.
Creio que nisto também está o equívoco de raciocínio
dos protagonistas da teoria sobre os números maiores do que o infinito.
(Esta teoria parte da definição: infinito é o conjunto
de todos os números inteiros. A teoria sobre os números maiores
do que o infinito afirma que todo número inteiro tem infinitos números
fracionários/decimais e, portanto, o conjunto de todos os números
fracionários do conjunto de todos os números inteiros é
maior do que o conjunto de todos os números inteiros, consequentemente,
maior do que infinito. Algo como infinito elevado a infinito).
O puro/santo absoluto, posteriormente referido, é intangível,
mesmo que pela sucessiva incrementação ou aperfeiçoamento.
Não é o resultado de um processo de purificação/
limpeza/depuração durante um tempo infinitamente grande,
e sim o estado daquilo ou daquele que nunca fez parte de um estado que
pudesse ser aperfeiçoado.
2.1.1 - 1o Axioma: Só o perfeito é eterno
A elite dos físicos nucleares da Europa está concentrada
no complexo do maior acelerador de partículas do mundo, localizado
sob as montanhas jurássicas ao norte do lago de Genebra, na Suíça.
O tio do amigo Volcker Mierecke, é integrante desta elite. Pelas
informações desse cientista, a maioria dos seus colegas cientistas
são tementes a Deus. Motivo? Reconhecimento de uma realidade que
ultrapassa os limites dos campos de pesquisa científica. A matéria,
assim se constatou, cessa ao nível atômico. Partículas
subatômicas não podem mais ser consideradas como substância,
algo palpável mesmo que minúsculo. As partículas subatômicas
são entendidas como nódulos de carga elétrica ou eletromagnética,
isentos de substância/matéria alguma. O neutron é um
nódulo sem carga elétrica, mas quando é desintegrado
resulta também em partículas com carga elétrica. A
matéria é formada dos agrupamentos ordenados destas partículas
amateriais. As partículas subatômicas podem ser postas em
movimento, aceleradas, e desintegradas sobre anteparos, resultando em partículas
menores. Quanto mais energia/velocidade se aplica a uma partícula
subatômica, a um nódulo amaterial, para desintegrá-lo,
tanto menores e mais numerosos são os fragmentos subatômicos.
Já se catalogou algo acima de 300 partículas subatômicas
diferentes. Não há limite para este processo. Os cientistas
reconhecem nisto um limite absoluto do conhecimento humano. Um poço
sem fundo que conhecimento algum em tempo algum possa desvendar. Este conhecimento
é intangível, em termos absolutos, ao ser humano. Um conhecimento
reservado a um outro plano. A existência das partículas subatômicas,
concluem os físicos nucleares de Genebra, só pode ter origem
em um ser supremo. Decorrente desta constatação, humildemente
reconhecem o seu limite de conhecimento. Isto confirma a colocação
do apóstolo Paulo em Romanos 1, 19-20: "Porquanto o que de Deus
se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque
as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto
o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se
vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem
inescusáveis;".
Com este conhecimento fica mais fácil entender a palavra criadora
de Deus: Haja luz, haja isto e aquilo, etc., (Gên.) e também
a passagem bíblica de que: "Mas os céus e a terra que existem
pela mesma palavra se reservam como tesouro,..." (2. Pedro 3,7). Tudo é
sustentado pela Palavra de Deus: " O qual, sendo o resplendor da sua glória,
e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra
do seu poder,..."( Hebreus 1,3 ). Ele chamou todas as coisas à existência.
As coisas materiais são literalmente feito de algo amaterial. Quando
Deus revogar a sua Palavra de sustentação sobre a realidade
amaterial, fundação da matéria, o mundo material entra
em colapso, e desaparece em nada. Basta ele dizer: não haja mais
carga elétrica, e o que resta? nada! A criação também
deveria ser entendida desta forma, só em sentido inverso.
Os cientistas postularam que o tempo, o espaço e a matéria
são interdependentes e nenhum destes pode existir isoladamente.
A grandiosidade da afirmação do primeiro versículo
da Bíblia fica, neste contexto, evidente: "No princípio (
tempo =0) criou Deus os céus (todo o espaço cósmico)
e a terra." Segundo o Dr. Henry Morris, fundador do ICR, Instituto para
Pesquisa da Criação, a palavra usada na língua original
pode tanto ser traduzida como Terra ou como matéria, toda a matéria
do universo. Isto dá mais sentido também ao próximo
versículo: "A terra (matéria), porém, era sem forma
e vazia." A matéria não tinha ainda sido agrupada para formação
dos astros. Esses, tempo, espaço e matéria, tiveram, continua
a dedução dos cientistas, um início e consequentemente
terão um fim.
Talvez isso explique por que Deus não atribuiu os adjetivos
"perfeito" ou "excelente" à sua criação, e sim simplesmente
"muito bom" (Gên. 1). Paulo identifica o amor como o maior entre
a fé e a esperança. Creio que a razão disso é
que, entre esses três, só o amor é eterno.
A primeira lei da termodinâmica, "nada se cria, nada se perde,
tudo só se transforma", só tem validade entre o início
e o fim da trilogia tempo/espaço/ matéria. Esses três
não surgiram através das leis da termodinâmica, foram
exatamente as leis da termodinâmica que surgiram a partir dos três,
algo que freqüentemente se esquece quando se pondera sobre as questões
da origem do universo.
A segunda lei da termodinâmica transmite um pouco da característica
perene deste mundo material: "Tudo tende à desordem/deterioração.
O aumento da entropia é a tendência natural." Fato que observamos
universalmente em tudo que é material ao nosso redor. Obviamente,
quanto melhor a qualidade/consistência, menor a velocidade de degradação.
Por isso nós nos dispomos freqüentemente a pagar preços
mais elevados para bens mais duráveis. Mas assim mesmo não
deixam de ter um período de existência e posteriormente já
não preenchem mais parcialmente ou plenamente as suas funções.
Qualidade tem hoje um significado mais amplo do que só durabilidade.
Mesmo assim, normalmente, durabilidade é um fator de qualidade.
Quanto "mais perfeitos" mais duráveis. A margem de tolerância
de fabricação é um fator que afeta a durabilidade.
Em outras palavras: o que é mais preciso, fabricado com menor
margem de tolerância, é, dentro do seu semelhante, o mais
durável. Mais durável mas não eterno, porque não
é perfeito. Até o material aplicado, como vimos acima, tem
um fim em vista. A margem de tolerância igual a zero não é
tangível ao nível do processo produtivo nem ao nível
do material aplicado (matéria).
Se, portanto, ele existe como primeira causa, o gerador de todas as
coisas, ele é eterno e, por conseqüência, absolutamente
perfeito.
2.1.2 - 2o Axioma: Um Ser eterno deve forçosamente possuir atribuições
absolutas e absolutamente todas elas.
É uma conclusão relativamente óbvia do primeiro
axioma. Se as atribuições não forem absolutas, não
serão integrais, plenas, e, consequentemente, não serão
perfeitas, conduzindo, para assim se dizer, para uma debilitação
que, cedo ou tarde, conduziria à exterminação.
O mesmo se aplica, também para o segundo axioma. Se não
possuir a plenitude das atribuições, não será
completo e , sim, debilitado, não tendo qualificações
para persistir eternamente.
Onisciência, onipotência, amor, santidade, justiça,
misericórdia, são algumas destas atribuições.
22.1.3 - 3o Axioma: Não pode haver dois seres distintos (antagônicos)
com a plenitude das atribuições absolutas.
O absolutismo é exclusivista. Um deles deterá a supremacia.
No mínimo, apenas um deles pode ser onipotente. Talvez isto ajuda
a entender um pouco mais o mistério da trindade de Deus. Parece
que há certa hierarquia até na trindade. O Pai envia o Filho.
O Filho envia o Espírito Santo. O dia da revelação
do poder de Deus, com o glorioso retorno de nosso Senhor Jesus Cristo era
de conhecimento exclusivo do Pai. Tem vários outros exemplos mais,
relatados na Bíblia, mas todos os atributos são às
três pessoas da trindade.
2.2.0 - A perfeição se deve revelar na adoração.
Efésios 1,6 e 12.
Adoração perfeita (honesta/pura/imparcial/espontânea/genuína)
somente pode ser prestada por um ente que detém o livre arbítrio
(um ser moral): "Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu;" (Salmos
40,8) e "Para
que sejamos para o louvor de sua glória,..." Ef. 1:12 (Tradução do NT de F.
Janzen)
Foi, provavelmente, o Dr. Francis Schäffer quem sugeriu o seguinte
cenário de ilustração: "Você acopla um gravador
a uma micro-chave instalada junto à porta de entrada de sua casa.
Cada vez que você abre a porta, a chave aciona uma gravação:
"Você é o maior, é o mais inteligente de todos. Já
fez grandes feitos, você é o mais belo, puro e poderoso, etc.."
Afinal, que valor isso teria para você?" Talvez algum discípulo
da afirmação positiva, do pensamento positivo ou os maquiadores
de auto-imagem disto extrairiam algum proveito, mas não os
realistas e objetivos.
Recordo-me de um incidente de experiência própria. Costumava
me apresentar em duetos de violino com meu amigo. Nem sempre nos saíamos
tão bem. Certa ocasião fomos mais ou menos desastrosos na
nossa apresentação. Queimando ainda na face frente ao vexame
que passamos, nos apareceu um outro violinista, já atrás
do palco, e com uma pompa de palavras nos inundou com largos elogios. Sempre
mais lento na detecção de malícias, fui antecipado
pelo meu amigo, que, por pouco não destruiu o seu belo instrumento
na cabeça desse "admirador" hipócrita.
O louvor não tem valor se não for honesto e autêntico.
Deus na sua majestade, desejou receber a apreciação espontânea
de seus feitos e seu poder. Os anjos não têm mais esta possibilidade,
apesar de darem louvores, de dia e de noite, ao nosso grande Deus.
O homem, com sua faculdade de autodeterminação, é
a única criatura capaz de se expressar espontaneamente.
2.3.0 - Um ente moral implica em risco.
É de nosso conhecimento e prática, em questões
de averiguações ou certificações, apelarmos
para entidades qualificadas e neutras. Até a justiça, através
dos seus juízes, recusa testemunhas que sejam parentes do réu
ou que tenham preferência pela absolvição de uma das
partes.
O laudo ou a sentença deve ser isenta de desejos de qualquer
natureza. Sabemos, através do cotidiano, como isto é difícil
na prática. O princípio assim mesmo persiste, mesmo frente
às deficiências na prática, mas o risco de um julgamento
parcial ou injusto para o réu é real.
No caso de Deus e a sua criatura, por Deus ser intrinsecamente merecedor
só de louvores, só existe o risco ou a possibilidade de esta
criatura lhe negar injustamente a adoração cabível:
"Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais
a criatura do que o Criador,..." ( Rom. 1,25). Mais grave ainda é
a prestação de adoração a alguém outro
por aquilo que Deus tem feito. É idolatria, é jogo sujo.
O ídolo sempre é um ente corrupto por permitir ser adorado
por aquilo que ele próprio não realizou ou não pode
realizar.
O que você acha da integridade de uma pessoa que não recusa
os elogios erroneamente e imerecidamente a ela dirigidos? Você acha
que Deus encara isto diferentemente?
2.4.0 - A santidade absoluta de Deus exige obrigatoriamente a condenação/eliminação
do autor da injustiça.
(Rom.2,12)
Quase todos nós estamos familiarizados com margens de tolerância
nos processos produtivos de qualquer natureza. Quanto maior a responsabilidade
ou qualidade, mais apertadas as margens de tolerância. A conseqüência
geralmente é o aumento de durabilidade do bem.
Vamos considerar para o nosso caso que a margem de tolerância
é o único fator da durabilidade. Quando a margem de tolerância
tender a zero a durabilidade tende para infinito. É possível
fabricar um bem com margem de tolerância igual a zero? Nenhum, é
claro. Consequentemente, para o nosso caso, não haverá bem
eterno.
Se transpormos esta realidade para o campo espiritual, a margem de
tolerância poderia muito bem representar o grau de santidade, a justificação/vida
eterna, porém, somente poderá ser alcançada com a
santidade absoluta, margem de tolerância igual a zero, porque é
a única qualidade que pode ser aceita/tolerada por um ser absolutamente
santo. Qualquer desvio, mesmo infinitesimal, é contaminação
de sua perfeição/santidade, situação impossível
para um ser eterno.
Sua santidade exige a condenação/eliminação
daquilo que não é absolutamente puro.
O controle de qualidade de Deus não admite margem de tolerância.
2.5.0 - Na sua perfeição, Deus também é
absolutamente misericordioso. "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira
que deu o seu Filho unigênito,..." (João 3,16a).
A misericórdia também é um atributo absoluto de
Deus. A sua misericórdia só pode ser absoluta se o sujeito
a quem se manifesta a sua misericórdia estiver em estado de absoluta
insolvência, caso contrário Jesus teria sido sacrificado desnecessariamente.
Para que a misericórdia seja autêntica é mister que
o receptor esteja em autêntica necessidade desta misericórdia.
Unicamente através dela poderá haver a saída da condenação.
Misericórdia é amor em ação. Amor divino.
Aquele que não solicita algo em contrapartida. Jesus menciona o
limite, o máximo que o amor humano é capaz de fazer: Ninguém
tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida
em favor dos seus amigos (Jo.15,13). Mas Paulo nos ensina que o amor de
Deus é muito mais: Dificilmente alguém morreria por um justo;
pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas
Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo
morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rom. 5,7-8).
O amor autêntico, divino, só se revela, é posto
em prática na misericórdia. O amor, atributo absoluto de
Deus, é embutido no atributo misericórdia. Sem amor divino
não há misericórdia divina, sem misericórdia
divina, não há amor divino.
2.6.0 - O DILEMA DE DEUS SEM UM MEDIADOR
2.6.1 - Se Deus faz justiça ele não é misericordioso
- Se ele é misericordioso, não pode fazer justiça.
Se Deus fecha um olho em misericórdia ao estado de imperfeição/pecaminoso
de sua criatura, deixa de ser santo.
Se ele faz valer a sua justiça, exigida frente à sua
santidade, deixa de ser misericordioso: "Miserável homem que sou!
quem me livrará do corpo desta morte? (Rom. 7,24).
Parece não haver saída para estas duas atribuições,
porque se excluem mutuamente.
2.6.2 - Para haver misericórdia sem ferir a justiça, a
ofensa precisa ser reparada por meios justos/válidos/consistentes.
Suponhamos que Deus, após criar Adão e Eva, lhes disse
que no dia que comessem da fruta proibida morreriam, pressupondo que obedeceriam,
abstendo-se deste alimento. Depois que Deus viu que se enganara a respeito
da lealdade dos dois, teria, num ato de misericórdia, revogada a
sua sentença de morte. Afinal, como ele é Deus, soberano
e onipotente, pode agir como bem entende. Quem lhe cobraria?
Mas não é assim. Deus, em primeiro lugar não fez
uma ameaça fria a Adão e Eva. Ele tão somente os informou
o que a sua santidade absoluta não pode tolerar: desobediência,
que eqüivale a rebelião. A morte é conseqüência
direta do veredicto de Deus mas o veredicto de morte é a conseqüência
obrigatória para eliminar a impureza/transgressão/desobediência
da santa presença de Deus. Deus não é injusto e consequentemente,
até os seus atos de misericórdia precisam seguir um procedimento
idôneo/correto/consistente.
2.6.3 - O ser humano não tem condições de se auto-reabilitar.
Voltando aos axiomas. Não se chega ao infinito acrescentando-se,
sucessivamente, mais um, ao número anterior. O limite deste processo
de fato é o infinito, mas não se chega a ele através
deste procedimento. Sempre restará um número, mais um. O
infinito é intangível. Nem no infinito a curva coincidirá
com a assíntota.
A santidade de Deus é semelhante. A santidade absoluta de Deus
não é uma sucessão infinita de atos de santificação,
e sim a assíntota da santificação. A santidade do
processo de santificação está separada da santidade
intrínseca de Deus, assim como uma curva de uma função
matemática está separada de sua assíntota (linha limite
da função), que, segundo definição, se tocam
no infinito. Como o infinito é intangível, a curva da função
se aproxima cada vez mais da assíntota, mas estará separada
desta sempre ainda por um infinitésimo, sem jamais coincidir com
a mesma. A própria palavra santificação revela que
houve um processo e que o ponto de partida era a falta de santidade.
Com a margem de tolerância divina para a santidade igual a zero,
a salvação pelas obras é impossível e fruto
da falta de reconhecimento da absoluta santidade de Deus. Não é
por falta de vontade de Deus nem por falta de esforço do ser humano
que não podemos transpor da curva para a assíntota. É
por força de sua eterna existência, que requer absoluta santidade,
que ele não pode cometer a injustiça de absolver a sua criatura
transgressora através de boas obras ou boa vontade. Deus seria imoral
se, por um lado permitisse que Jesus Cristo fosse morto pelos pecadores
e por outro lado fosse possível salvar-se através de boas
obras.
Muitas das religiões não cristãs até têm
freqüentemente nobres preceitos e regras de conduta louváveis.
A questão crucial, no entanto, é a justificação.
Como posso alcançar a santidade para subsistir perante o meu Criador.
2.6.4 - Necessita-se de uma causa externa que nunca teve parte na transgressão.
2Sal.49, 7-9: "Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão,
ou dar a Deus o resgate dele (pois a redenção da sua alma
é caríssima, e cessará para sempre), para que viva
para sempre, e não veja corrupção."
Títulos de dívida podem somente rolar a dívida.
Para se pagar uma dívida necessita-se de dinheiro "QUENTE":
" E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão
da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as
ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas
suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária,
e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz."(Col. 2,13-14).
A morte justa, do injusto ente, só pode ser justificada/paga
/remida, pela morte de um justo( um não envolvido no processo da
dívida). O preço da remissão deve ser equivalente
ao valor da condenação, ou seja a morte. Aquele que não
cometeu injustiça, levou a condenação da injustiça
sobre si no lugar daqueles que a mereciam por justa causa: "Àquele
que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele
fôssemos feitos justiça de Deus (2. Cor. 5,21).
Isto dá a Deus a legitimidade de retirar de graça
a merecida condenação dos injustos e declarar, sem consideração
do esforço próprio, absolutamente justos, aqueles que, por
força da lei ( que trata da santidade que tem validade perante Deus)
eram escravos eternos do pecado (Rom.2,2). Tudo isto novamente através
da decisão voluntária/ livre arbítrio, se espontaneamente
admitirem a sua culpa perante o Criador, pedirem perdão pelo feito
e reconhecerem na morte substitutiva de Jesus Cristo a sua merecida condenação
própria.
Fazer pecado pelos pecadores aquele que é absolutamente santo
= amor/misericórdia infinita.
Se alguém é achado culpado já é um vexame.
Mas a indignação e revolta são muitas vezes maiores
se alguém recebe, por engano, a condenação pelo delito
de outrém. Nós, porém, não somos perfeitos
e se recebemos uma punição não merecida, muitas vezes
também não recebemos a punição merecida. Agora
imaginem o horror de alguém que era absolutamente santo, ser feito
pecado/pecador e ser condenado à morte injustamente em substituição
daqueles que a mereciam por justa causa. Foi tamanho o horror que o próprio
Deus ocultou a sua face perante o seu bendito filho ao ponto de Jesus gritar
em solidão agonizante: "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?"
(Mat.27,46). “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar;
quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá
a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor
prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho
da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo,
o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles
levará sobre si. (Isaías 53:10-11)
Se, como alguns tentam inferir, Maria não engravidou pela ação
do Espírito Santo e sim pela vontade de um homem, então Jesus
poderia, no máximo, ser um profeta, mas jamais o filho unigênito
de Deus, o cordeiro sem máculas. Neste caso nós ainda estaríamos
nas trevas e sem esperança.
Como a Sua santidade é absoluta, a Sua morte também vale
para todos. Considerando, n todos os seres humanos de todos os tempos/pecadores,
m todos os pecados de toda a humanidade que Cristo tomou sobre si e x,
que é igual a zero, os pecados próprios de Jesus Cristo,
temos: Y=n.m/x. Y é o número de pecadores justificáveis
pela sua morte, infinito: "... para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3,16b).
Por este motivo, Jesus Cristo não é um remédio
para corrigir um erro de cálculo de Deus, mas sim, parte do projeto
original da própria criação do universo, como também
Paulo escreve com precisão aos Colossenses: " O qual é imagem
do Deus invisível, o primogênito de toda a criação...
...e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio
dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão
na terra, como as que estão nos céus." (Col. 1,15...20).
Assim faz muito sentido de a Bíblia afirmar: "...nomes... ...escritos
no livro do Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo."
Também não é arrogante afirmar que não
há salvação em nenhum outro. É obviamente inútil
e idólatra apelar para qualquer outro ser.
2.6.5 - FINALIZANDO
Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza,
às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.
Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio dos anjos, e toda transgressão
e desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós,
se negligenciarmos tão grande salvação?(HEBREUS 2,1-3)
3.0.0 - Como posso reivindicar essa salvação?
3.0.1- Preciso reconhecer o meu estado de insolvência espiritual
de que eu não tenho a capacidade de me auto-reabilitar para adquirir
a justiça e a santidade de Deus.
3.0.2- Devo acreditar naquele que tem esta santidade, Jesus Cristo,
e pedir perdão a Deus pelos atos de "imperfeição"
por mim cometidos. Atos 10,43b ...todos os que nele crêem receberão
o perdão dos pecados pelo seu nome. 1.João 1,9 Se confessarmos
os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados,
e nos purificar de toda a injustiça.
3.0.3- Devo compatibilizar o meu estilo de vida com a sua vontade,
expressa na sua Palavra, a Bíblia. 1.João 1,6 Se dissermos
que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não
praticamos a verdade.
3.1.0- Como faço isso?
3.1.1- Falando a Deus, com minhas próprias palavras e expressões,
como se estivesse falando com um amigo à minha frente.
3.2.0- Como eu sei que fui ouvido e perdoado, atendido?
Você percebe o perdão imediatamente. Aquela perturbação
angustiante sobre o futuro, a incerteza do além, o sentimento de
culpa, desaparecem de vez. Rom. 8,16 O mesmo Espírito testifica
com o nosso Espírito que somos filhos de Deus. 1.João 5,
10 - 12a Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho;...
e o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida
está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não
tem o Filho não tem a vida.
Procure comunhão com as pessoas que já experimentaram
o perdão de Deus e compartilhe a tua experiência com eles.
Agradeço aos pastores Peter Unruh, Valdemar Krocker e Fridolin Janzen pelas sugestões, análise e correção do texto. Curitiba, março de 1995