NR:
Nota do redator destes comentários
Afirmações
consideradas certas em azul
Afirmações
consideradas erradas em vermelho
Para que os homens sejam conduzidos à fé, Deus envia, em sua misericórdia, mensageiros desta mensagem muito alegre a quem e quando Ele quer. Pelo ministério deles, os homens são chamados ao arrependimento e à fé no Cristo crucificado. Porque "...como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?..." (Rom. 10:14, 15).
A ira de Deus permanece sobre aqueles que não crêem neste Evangelho. Mas aqueles que o aceitam e abraçam Jesus, o Salvador, com uma fé verdadeira e viva, são redimidos por Ele da ira de Deus e da perdição, e presenteados com a vida eterna (Jo. 3:36; Mc 16:16).
Em Deus não está, de forma
alguma, a causa ou culpa desta incredulidade. O homem tem a culpa dela,
tal como de todos os demais pecados. Mas a fé
(NR.: Observe a responsabilidade ao nosso encargo nas citações
acima, então compare com a anulação destas nossas responsabilidades nas
afirmações abaixo.)
Deus dá nesta vida a fé a alguns enquanto não dá a fé a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. ...
Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. ...
Esta eleição não é baseada em fé prevista, em obediência de fé, santidade ou qualquer boa qualidade ou disposição, que seria uma causa ou condição previamente requerida ao homem para ser escolhido. ...
A causa desta eleição graciosa é somente o bom propósito de Deus. ...
Como Deus é supremamente sábio, imutável, onisciente, e Todo-Poderoso, assim sua eleição não pode ser cancelada e depois renovada, nem alterada, revogada ou anulada; nem mesmo podem os eleitos ser rejeitados, ou o número deles ser diminuído.
Os eleitos recebem, no
devido tempo, a certeza da sua eterna e imutável eleição para salvação, ainda
que em vários graus e em medidas desiguais. Eles não a recebem quando
curiosamente investigam os mistérios e profundezas de Deus. Mas eles a recebem,
quando observam em si mesmos, com alegria espiritual e gozo santo, os
infalíveis frutos de eleição indicados na Palavra de Deus - tais como uma fé
verdadeira em Cristo, um temor filial para com Deus, tristeza com seus pecados
segundo a vontade de Deus, e fome e sede de justiça.
A doutrina da divina eleição, segundo o mui sábio conselho de Deus, foi pregada pelos profetas, por Cristo mesmo, e pelos apóstolos, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, e depois escrita e nos entregue nas Escrituras Sagradas. ...
A Escritura Sagrada mostra e recomenda a nós esta graça eterna e imerecida sobre nossa eleição, especialmente quando, além disso, testifica que nem todos os homens são eleitos, mas que alguns não o são, ou seja, são passados na eleição eterna de Deus. ...
Há pessoas que não
sentem fortemente a fé viva em
Cristo, nem confiança firme no coração, nem boa consciência, nem zelo pela
obediência filial e pela glorificação de Deus por meio de Cristo. Apesar disso
elas usam os meios pelos quais Deus prometeu operar tais coisas
Aqueles que reclamam contra esta graça de eleição imerecida e a severidade da justa reprovação, nós replicamos com esta sentença do apóstolo: "Quem és tu, ó homem para discutires com Deus?!" (Rom 9:20). E com esta palavra do Salvador: "Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu?" (Mt 20:15). Nós entretanto, adorando reverentemente estes mistérios, exclamamos com o...
Havendo explicado a doutrina ortodoxa de eleição e reprovação, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - A
vontade de Deus para salvar aqueles que crerem e perseverarem na fé e na
obediência da fé é o decreto inteiro e total da eleição para salvação. Nada mais sobre este decreto foi revelado na Palavra de
Deus.
Refutação - Este erro engana aos simples e claramente contradiz a Escritura. Ela testifica não apenas que Deus salvará aqueles que crêem mas também que escolheu específicas pessoas desde a eternidade. Nesta vida Ele dará a estes eleitos a fé em Cristo e perseverança, que Ele não dá a outros; ...
Deus é não só
supremamente misericordioso mas também supremamente justo. E como
Ele se revelou
Muitos que têm sido
chamados pelo Evangelho não se
arrependem nem crêem em Cristo, mas
perecem na incredulidade. Isto não acontece por causa de algum defeito ou
insuficiência no sacrifício de Cristo na cruz, mas por causa de sua própria
culpa.
Mas aqueles que
verdadeiramente crêem e, pela morte de Cristo, são libertos e salvos dos seus
pecados e perdição, recebem
tal benefício apenas por causa da graça de
Deus, que lhes é dada, em Cristo, desde a
eternidade. Deus não deve a ninguém tal graça.
Pois este foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de seu Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança) redimisse efetivamente de todos os povos, tribos, línguas e nações, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos, e Lhe foram dado pelo Pai. Deus quis que Cristo lhes desse a fé, que Ele mesmo lhes conquistou com sua morte, junto com outros dons salvíficos do Espírito Santo. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até ao fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em glória, "sem mácula, nem ruga" (Ef 5:27).
Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - Deus o Pai destinou seu Filho à morte na cruz sem um decreto definido de determinadas pessoas. ...
Refutação - Esta doutrina é uma ofensa à sabedoria do Pai,
ao mérito de Cristo e é contrária à Escritura. Pois o nosso Salvador
afirma: "... dou a minha vida pelas ovelhas." e "eu as
conheço..." (Jo 10:15, 27). E o profeta Isaías fala acerca do Salvador:
"... quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua
posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas
suas mãos." (Is 53:10). Finalmente, este erro invalida o artigo de fé pelo qual
confessamos a Igreja universal de Cristo.
(NR.: Um pré-conceito ou outro dogma errado. Se preocupam que um
artigo de sua fé é invalidado mas não se preocuparam que afirmações claras de
Jesus e das Sagradas Escrituras foram anuladas. Jesus já se queixava dos
fariseus de sua época: “Anulando a Palavra de Deus pela sua tradição, que vocês
transmitiram,” Marcos 7:13a).
(NR.: Curiosamente aqui condenam de erro o que afirmaram como
doutrina nos artigos 3º,4º e 5º !!)
Erro 6 - Deus, por sua parte, quer dar a todas as pessoas igualmente os
benefícios conquistados pela morte de Cristo. Entretanto algumas obtêm o perdão
de pecados e a vida eterna, e outras não. Esta distinção depende de sua própria
livre vontade que se junta à graça que é oferecida sem distinção. Mas não
depende do dom especial da misericórdia que opera tão poderosamente nestas
pessoas, que elas, diferentes de outras, se apropriam desta graça.
Refutação - Os que ensinam assim abusam da distinção entre
aquisição e apropriação da salvação para implantar esta opinião nas mentes de
pessoas imprudentes e sem experiência. Enquanto eles simulam apresentar esta
distinção da maneira correta, procuram induzir na mente do povo o perigoso
veneno dos erros pelagianos.
Aquilo
que a luz natural nem a lei podem fazer, Deus
o faz pelo poder do Espírito Santo e
pela pregação ou ministério da reconciliação, que é o Evangelho do
Messias. Agradou a Deus usar este
Evangelho para salvar os crentes, tanto na antiga quanto na nova aliança.
(NR.: (Smile) “Não vim
chamar justos para o arrependimento, mas pecadores” Lucas 5:32, obcecados à cegueira.
Crentes não precisam ser salvos.)
Mas tantos quantos são
chamados pelo Evangelho, seriamente o são. Porque Deus revela séria e
sinceramente
(NR: Também discurso
inicial. Observe o verbo: “vierem e crerem”. Isto é obra do sujeito que é
chamado. Se fosse eleito seria “trazidos e feitos crer”)
Muitos são
chamados através do ministério do Evangelho mas não vêm nem são convertidos. Não é a culpa do Evangelho, nem
do Cristo que é oferecido pelo Evangelho, nem de Deus que chama através do
Evangelho e inclusive confere vários dons a eles. Mas é sua própria culpa. Alguns deles não aceitam a Palavra da
vida por descuido. Outros de fato a recebem, mas não em seus corações, e por
isso, quando desaparece a alegria de sua fé temporária, viram as costas à
Palavra. Ainda outros sufocam a semente da Palavra com os espinhos dos cuidados
e prazeres deste mundo, e não produzem nenhum fruto. Isto é o que o Salvador
ensina na parábola do semeador (Mt 13).
(NR: Observe, também aqui
voltaram ao discurso inicial e continua abaixo até o meio do artigo 10, então
novamente inverte. A faculdade de o pecador poder escolher pela fé é a chamada
“heresia orgulhosa”. Vide abaixo.)
Outros que são chamados pelo ministério do Evangelho vêm e são
convertidos. Isto não pode ser atribuído ao homem, como se ele se distinguisse
por sua livre vontade de outros que receberam a mesma e suficiente graça para
fé e conversão, como a heresia orgulhosa de Pelágio afirma. Mas isto deve ser atribuído a Deus: como
Ele os escolheu em Cristo desde a eternidade, assim Ele os chamou efetivamente
no tempo. Ele lhes
dá fé e arrependimento;
Ele os livra
do poder das trevas e os transfere para o reino de seu Filho.
Tudo isto Ele faz a fim de que eles proclamem as grandes virtudes daquele que
os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, e se gloriem não em si mesmos
mas no Senhor, como é o testemunho geral dos escritos apostólicos (Col 1:13; 1
Pe 2:9; 1 Cor 1:31).
(NR: O “deve ser” denota incerteza. Uma boa pergunta de como se pode dar arrependimento! Isto, em si, é uma auto-contradição.)
Deus realiza seu bom propósito nos eleitos e opera neles a verdadeira conversão da seguinte maneira: Ele faz com que ouçam o Evangelho mediante a pregação e poderosamente ilumina suas mentes pelo Espírito Santo de tal modo que possam entender corretamente e discernir (NR.:O “possam” expressa apenas capacitação, o “realizar” requer vontade própria.) as coisas do Espírito de Deus. Mas pela operação eficaz do mesmo Espírito regenerador, Deus também penetra até os recantos mais íntimos do homem. Ele abre o coração fechado e amolece o que está duro, circuncida o que está incircunciso e introduz novas qualidades na vontade. Esta vontade estava morta, mas Ele a faz reviver; era má, mas Ele a torna boa; estava indisposta, mas Ele a torna disposta; era rebelde, mas Ele a faz obediente. Ele move e fortalece esta vontade de tal forma que, como uma boa árvore, seja capaz de produzir frutos de boas obras (I Cor 2:14).
Fé é, portanto, um dom de Deus. Isto não significa que Deus a oferece à livre vontade do homem, mas que ela é, de fato, conferida ao homem e nele infundida. Não é um dom no sentido de que Deus apenas concede poder para crer e depois espera da livre vontade do homem o consentimento para crer ou o ato de crer. Ao contrário, é um dom no sentido de que Deus efetua no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer. Ele opera tanto o querer como o realizar, sim, opera tudo em todos. (Ef 2:8; Fp 2:13).
Erro 4 - O homem não-regenerado não é realmente ou totalmente morto em
pecados, ou privado de toda capacidade para fazer o bem. Ele ainda pode ter
fome e sede de justiça e vida, e pode oferecer sacrifício de espírito contrito
e quebrantado que agrada a Deus.
(NR.: Confira no caso de Cornélio em Atos 10. NR. Ele foi atendido
por Deus antes de ser salvo. Lídia idem.)
Refutação - Estas afirmações são contrárias ao testemunho claro da Escritura: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Ef 2:1; cf.vs.5). E, "...era continuamente mau todo o desígnio do seu coração" (Gn 6:5; cf.8:21). Além do mais, somente os regenerados e os bem-aventurados têm fome e sede da libertação da miséria, e da vida, e oferecem a Deus um sacrifício de espírito quebrantado (Sl 51:19 e Mt 5:6).
seus próprios caminhos" (At 14:16). E Paulo e seus companheiros
Erro 8 - Na regeneração do homem Deus não usa os poderes de sua onipotência
de tal maneira que Ele dobra a vontade do homem, à força e infalivelmente, para
fé e conversão. Mesmo sendo realizadas todas as operações da graça que Deus
possa usar para converter o homem e mesmo que Deus tenha a intenção e a vontade
de regenerá-lo, o homem ainda pode resistir a Deus e ao Santo Espírito. De fato
freqüentemente resiste, chegando a impedir totalmente sua regeneração. Portanto
ser ou não ser regenerado permanece no poder do homem.
Refutação - Isto é nada mais nada menos que anular todo o poder da graça de Deus em nossa conversão e sujeitar a operação do Deus Todo-Poderoso à vontade do homem. É contrário ao que os apóstolos ensinam: cremos "... segundo a eficácia da força do seu poder" (Ef 1:19), e: "...para que nosso Deus cumpra... com poder todo propósito de bondade e obra de fé..." (2 Ts 1:11), e também: "...pelo seu divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e piedade..." (2 Pe 1:3).
(NR: Erram porque graça não é um poder e sim uma dádiva.)
O poder de Deus, pelo qual Ele confirma e preserva os verdadeiros
crentes na graça, é tão grande que isto não pode ser vencido pela carne (NR: Mateus
10:33 Mas qualquer que me negar
diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos
céus. 2 Timóteo 2:12 se sofrermos, também com ele
reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará;). Mas os convertidos nem sempre são guiados e
movidos por Deus, e assim eles poderiam, em certos casos, por sua própria
culpa, se desviar da direção da graça, e ser seduzidos pelos desejos da carne e
segui-los. Devem, portanto, vigiar constantemente e orar para que não caiam
Por tais
pecados grosseiros, entretanto, eles
causam a ira de Deus, se tornam culpados da morte, entristecem o Espírito Santo, suspendem o exercício
da fé, ferem profundamente suas consciências e algumas vezes
perdem temporariamente a sensação da graça. Mas quando retornam ao reto caminho por meio
de arrependimento sincero, logo a face paternal de
Deus brilha novamente sobre eles.
(NR: A ira de Deus só vem
sobre os filhos da desobediência, os perdidos: Efésios
5:6 Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de
Deus sobre os filhos da desobediência.
Colossenses 3:6 pelas quais
coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;)
Pois Deus, que é rico em
misericórdia, de acordo com o imutável propósito da eleição, não retira
completamente o seu Espírito dos seus, mesmo em sua deplorável queda. Nem tão
pouco permite que venham a cair tanto que recaiam da graça da adoção e do
estado de justificado. Nem permite que cometam o pecado que leva à morte, isto é, o
pecado contra o Espírito Santo e assim sejam totalmente abandonados por Ele,
lançando-se na perdição eterna.
(NR.: No artigo 5º ainda fala de culpados da morte e já no sexto
nega que é possível!?)
Pois, em
primeiro lugar, em tal queda, Deus preserva neles sua imperecível semente da
regeneração, a fim de que esta não pereça nem seja lançada fora. Além disto,
através da sua Palavra e seu Espírito, certamente Ele os renova efetivamente
para arrependimento. Como resultado eles se afligem de coração com uma tristeza
para com Deus pelos pecados que têm cometido; procuram e obtêm pela fé, com
coração contrito, perdão pelo sangue do Mediador; e experimentam novamente a
graça de Deus,
que é reconciliado com eles, adorando sua misericórdia e
fidelidade. E de agora em diante eles se empenham mais diligentemente pela sua
salvação com temor e tremor.
(NR.: Há como se reconciliar mais de uma vez? Uma vez afirmam que
não há como se perder, depois afirmam que Deus é reconciliado com eles. Por
outro lado, não somos nós que devemos ser reconciliados com Deus? Como Deus
precisa ser reconciliado conosco? Isto está invertido!)
Assim, não é por seus
próprios méritos ou força mas pela imerecida misericórdia de Deus que eles não
caiam totalmente da fé e da graça e nem permaneçam caídos ou se percam
definitivamente. Quanto a
eles, isto facilmente poderia acontecer e aconteceria sem dúvida. Porém,
quanto a Deus, isto não pode acontecer, de modo nenhum. Pois seu decreto não
pode ser mudado, sua promessa não pode ser quebrada, seu chamado em acordo com
seu propósito não pode ser revogado. Nem o mérito, a intercessão e a
preservação de Cristo podem ser invalidados, e a selagem do Espírito tão pouco
pode ser frustrada ou destruída.
(NR.: Isto merece uma reflexão. Onde se encontra o referido
decreto? Mesmo assim ele só se aplicaria para a parte que cabe a Deus. Se, no
entanto, se atribui tudo a Deus, tanto o vir, como crer e obedecer e se
arrepender então seria correto. Mas Deus jamais se pode arrepender em nosso
lugar. Veja como uma afirmação, a exaltação de um dogma, leva à conclusão
errada.)
Os crentes
podem estar certos e estão certos desta preservação dos eleitos para salvação e
da perseverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza é de acordo com a medida de sua
fé, pela qual eles crêem com certeza que são e permanecerão verdadeiros e vivos
membros da Igreja, e que têm o perdão de pecados e a vida eterna.
(NR.: Quer dizer eu preciso ter fé para crer que sou e permanecerei
verdadeiro e vivo membro da igreja e crer que eu tenho o perdão de pecados e a
vida eterna. Poxa, por que Deus não faz isto por mim também?)
Esta certeza não vem de uma
revelação especial, sem ou fora da Palavra, mas vem da fé nas promessas de
Deus, que Ele revelou abundantemente
(Obs.: Pasmem. A certeza da salvação vem pela fé na obra de Cristo
na cruz. Pelo fato de Ele ter realizado a minha redenção ela é certa e segura,
não pelo meu zelo nem pelas minhas obras, nem pelo meu sentimento.)
No entanto, a
Escritura testifica que os crentes nesta vida têm de lutar contra várias
dúvidas da carne e, sujeitos a graves tentações, nem sempre sentem plenamente
esta confiança da fé e certeza da perseverança. Mas Deus, que é Pai de toda a
consolação, não os deixa ser tentados além de suas forças, mas com a tentação
proverá também o livramento e pelo Espírito Santo novamente revive neles a
certeza da perseverança
(I Cor. 10:13).
(NR.: Este é um drama de adeptos deste dogma. Não sentem a certeza
como se ela dependesse de ser sentida. Ela depende da fé/confiança na obra de
Cristo e não de sentimentos!!
Deus revelou abundantemente
(NR.: Não bem convencidos de sua exegese, conclamam a ira de
Satanás como apoio à fragilidade da sua tese. Considero isto uma maneira
covarde de argumentar. Nenhum versículo bíblico de corroboração para esta
postura é possível citar.)
Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:
Erro 1 - A perseverança dos verdadeiros crentes não é resultado da eleição ou um dom de Deus obtido pela morte de Cristo. É uma condição da nova aliança, que o homem deve cumprir pela sua livre vontade antes da assim chamada eleição decisiva, e justificação.
Refutação - A Escritura Sagrada testifica que a perseverança provém da eleição e é dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurreição e intercessão de Cristo: "a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos" (Rom 11:7). Também: "Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rom 8:32-35)
Erro 2 - Deus de fato provê os crentes de suficientes forças para
perseverar, e está pronto para preservar tais forças nele, se este cumprir seu
dever; mas ainda que todas estas coisas tenham sido estabelecidas, que são
necessárias para perseverar na fé e que Deus usa para preservar a fé, ainda
assim dependerá da vontade humana se perseverar ou não.
Refutação - Esta idéia é abertamente pelagiana. Enquanto deseja libertar o homem, o faz usurpador da honra de Deus. Combate o consenso geral da doutrina evangélica que retira do homem todo motivo de orgulho e atribui todo louvor por este benefício somente à graça de Deus. É também contrário ao apóstolo que declara: "...o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1:8).
(NR.: Está aí o que afirmei
acima. O motivo da doutrina é: retirar do homem todo
motivo de orgulho e atribuir todo louvor por este benefício somente à graça de
Deus. Isto é um dogma pré-estabelecido, ao qual
tudo deve ser sujeitado. É idêntico à tese dos evolucionistas que partem do
pressuposto de que a evolução é um fato logo todas as ponderações devem ser
sujeitas à esta afirmação. Basta ler a parábola do servo perverso em Mateus
18:21-35 para saber que toda esta doutrina é dos homens e satanás gosta dela
(idem).)
Erro 3 - Crentes verdadeiramente regenerados não só
podem perder completa e definitivamente a fé justificadora, a graça e a salvação,
mas de fato as
perdem freqüentemente e assim se perdem eternamente.
Refutação - Esta opinião invalida a graça, justificação, regeneração e contínua preservação por Cristo. Ela é contrária às palavras expressas do apóstolo Paulo: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rom 5:8,9). É contrária ao apóstolo João: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando porque é nascido de Deus" (1 Jo 3:9). Também é contrária às palavras de Jesus Cristo: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10:28,29).
Erro 4 - Verdadeiros crentes regenerados podem cometer o pecado que leva à morte ou o pecado contra o Espírito Santo.
Refutação - Após o apóstolo João ter falado no 5º capítulo de sua 1ª carta, versos 16 e 17, sobre aqueles que pecam para morte e de ter proibido de orar por eles, logo acrescenta no verso 18: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado, antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno não lhe toca."
Erro 5 - Sem uma revelação especial não podemos ter nesta vida, nenhuma certeza da perseverança futura.
Refutação - Por tal doutrina o seguro consolo
dos crentes verdadeiros nesta vida é tirado, e as dúvidas dos seguidores do
papa são novamente introduzidas na igreja. As
Escrituras Sagradas, entretanto, sempre deduzem
esta segurança, não a partir de uma revelação especial e
extraordinária, mas a partir das marcas dos filhos de Deus e das promessas mui firmes dEle. Especialmente o
apóstolo Paulo ensina isto:"...nem qualquer outra criatura poderá
separar-nos do amor de Deus que há
(NR:
Parece que olham mas não enxergam. Aqui
está: “aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus”. A guarda
é imputada a nós. Com isto estão refutados todos os argumentos a favor da
imperdibilidade da salvação acima!! E ponto final!!)
Erro 6 - Por sua própria natureza a doutrina da certeza
da perseverança e da salvação causa falsa segurança e prejudica a piedade, os bons
costumes, orações e outros santos exercícios. Ao contrário, é louvável duvidar desta
certeza.
Refutação - Esta falsa doutrina ignora o
efetivo poder da graça de Deus e a operação do Santo Espírito, que habita
(NR.: Veja aqui afirma novamente e categoricamente que é nosso
dever e responsabilidade de nos purificarmos.)
Erro 7 - A fé daqueles que crêem apenas por um tempo não é diferente da fé justificadora e salvadora, a não ser com respeito à sua duração.
Refutação - Em Mt 13:20-23 e Lc 8:13-15 Cristo mesmo indica claramente, além da duração, uma tríplice diferença entre os que crêem só por um tempo e os verdadeiros crentes. Ele declara que o primeiro recebe a semente em terra rochosa, mas o último em bom solo, ou seja, em bom coração; que o primeiro é sem raiz, mas o último tem firme raiz; que o primeiro não tem fruto, mas o último produz fruto em várias medidas, constante e perseverantemente.
Erro 8 - Não é absurdo o fato de alguém, tendo perdido
sua primeira regeneração, nascer de novo e mesmo freqüentemente nascer de novo.
Refutação - Esta doutrina nega que a semente de Deus, pela qual somos nascidos de novo, seja incorruptível. Isto é contrário ao testemunho do apóstolo Pedro: "...pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível..." (I Ped. 1:23).
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Esta é a declaração clara, simples, e sincera da doutrina ortodoxa com respeito aos Cinco Artigos de Fé disputados na Holanda; e esta é a rejeição dos erros pelos quais as Igrejas têm sido perturbadas, por algum tempo. O Sínodo de Dort julga a presente declaração e as rejeições serem tiradas da Palavra de Deus (NR.: Na refutação do erro 2 do artigo 15 afirmam algo diferente. Lá eles falam de uma premissa básica, a qual deve ser defendida e abusam da interpretação para chegarem ao resultado desejado.) e conforme as Confissões das Igrejas Reformadas.
NR.:Comentários finais
Ao
enaltecerem a graça jogaram a verdade na lata de lixo e estancaram a
possibilidade de busca pela verdade bíblica.
Não
foi o meu intento escrever recomendações, mas, visto ao acima não consigo me
calar. Compadeço-me profundamente com os intelectuais fiéis desta igreja
aqueles que estão amordaçados pela camisa de força das Decisões do Sínodo de
Dort, e caladamente tem que engolir estas contradições, ou até, contra a
convicção pessoal, tem que ensinar nas suas igrejas com o que não concordam
para não serem segregados como heréticos e agentes do diabo.
Há
de se concordar que Deus só é justo se ele é lógico. Pode até ser bem acima da
nossa lógica, mas tem que ser lógico. Não há justiça sem lógica.
As
decisões do sínodo de Dort ferem constantemente as afirmações bíblicas
contrárias para atingir sua premissa pré-estabelecida.
Como
já afirmado acima, isto é a mesma atitude dos evolucionistas. Não há como
criticar estes sem abandonar a sua própria atitude incoerente.
Por
outro lado estou plenamente consciente de como é difícil modificar um documento
destes porque a maioria sempre segue cegamente ao invés de pensar. Desta forma
documentos assim são mais fortes do que a própria Bíblia e pesam como uma
maldição. Quem lhes tocar é anátema.
Se
alguém na direção desta igreja ler estas linhas recomendo
1-
Abrandar a força deste documento
2-
Reforçar a autoridade da Bíblia
3- Destacar
de que se tratava da visão da circunstância da época
4-
Abri-lo oficialmente para comentários sem ameaças
5-
Confirmar o que é certo
6-
Corrigir o que está errado.
Condensado dos pontos
relevantes dos erros de Armínius
por Waldemar Janzen
de
Breve Histórico das
Origens do Arminianismo
por
Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki
Jacob van Harmazoon
(1560-1609), ou como é conhecido por seu nome latinizado Jacobus Arminius,
nasceu em Oudewater na Holanda. Primeiro estudou teologia na Universidade
Marburg em Leyden (1575-1581), também estudou em Basiléia (1582-1583), e
posteriormente na Academia de Genebra na Suíça (1584-1586), onde recebeu aulas
do próprio reformador Theodoro Beza, sucessor de João Calvino.
Arminius foi
escolhido pelo Sínodo holandês em 1589, para defender a doutrina oficial da
Igreja Reformada Holandesa.
Arminius realizou uma
exposição na epístola de Romanos analisando os capítulos 7-9. Nestas palestras
ele questionou a interpretação calvinista desta passagem, preferindo uma forma
de Semipelagianismo modificada, o que veio a chamar-se Arminianismo .
Franciscus Gomarus
que, primeiramente, foi professor de Arminius, tornou-se seu principal inimigo.
Todos os que defendiam a posição calvinista, ficaram conhecidos, naquele
período na Holanda, como gomaristas.
Gomarus foi uma
figura decisiva no Sínodo de Dort, em defesa da opinião calvinista.
A Igreja Oficial
Holandesa era confessionalmente calvinista. Os teólogos e partidários de
Arminius não admitiam a limitação confessional, e procuravam obter a revisão
dos credos oficiais.
Ricardo Cerni comenta
que no sombrio marco desta questão ressuscitou um antigo problema
sócio-político polarizado na rivalidade existente entre Maurício de Nassau
(filho de William de Orange, e o protetor do proletariado), e Jan Barnevelt, um
dos fundadores da república e líder da alta burguesia. Em geral, esta classe social
era partidária da postura arminiana, e usando de sua evidente influência
política conseguiram, através de Hugo Groot (Grotius, 1583-1645) a publicação
de um Edito para que se proibisse nas igrejas a pregação de temas
“controvertidos”, incluindo, obviamente, a questão da predestinação. Os
calvinistas ortodoxos protestaram imediatamente estimando aquele que era um ato
de verdadeira perseguição. [7]
O problema teológico de Arminius tinha as suas raízes em sua
teontologia [8]. As suas conclusões acerca da salvação, não eram resultados
apenas de um conceito errado de livre arbítrio, ou do modus
operandi da livre graça de Deus, e sim, do seu conceito acerca da Trindade.
Arminius falando do seu conceito da divindade de Cristo e do Espírito, afirma
que “esta maneira de falar é nova, herética e sabeliana, e em si, é blasfemo dizer que o Filho de Deus é homoousios (da mesma
essência) porque somente o Pai é verdadeiro Deus, o Filho e o Espírito não o
são.” [9] Além de demonstrar certa deficiência na área de teologia
histórica, a sua teontologia resulta conseqüentemente num Unitarismo. [10]
A conseqüência
dessa teologia em tom unitarista, unida a um conceito errôneo de livre arbítrio
é que a sua Soteriologia [11] e todas as demais divisões da dogmática,
coerentemente, sofreram modificações bastante significativas. Não é de se
estranhar que os discípulos de Arminius distanciaram-se do seu tom protestante
original. Os nomes de teólogos arminianos como “Episcopius, Grocius,
Curcellaeus, Limborch, e sua elaboração de imponentes volumes, do material
dogmático, não conseguem esconder o achatamento de todas as grandes doutrinas,
e suas tendências crescentes em direção a Ário, a Pelágio e a Socínio”. [12]
O próprio Arminius era inconsistente em sua teologia. Embora negasse os quatro primeiros pontos do Calvinismo, ele incoerentemente aceitava o quinto. Numa obra chamada Declaração
dos Sentimentos (1608) ele defende que Deus possui quatro tipos de
decretos, sendo que o quarto “Deus decretou a salvação de certos indivíduos
específicos – porque Ele anteviu que eles creriam e perseverariam até o fim”.
[13]
Com o propósito de
tornar sua teologia mais coerente os remonstrantes também negaram em seu quinto
ponto a doutrina da Perseverança Final, conforme exposta pelo Calvinismo. Em
sua avaliação sobre o assunto, Wright afirma que ele [Arminius] continuou até a crer na segurança eterna dos santos, embora este último aspecto
do calvinismo tenha sido abandonado pelos seus seguidores entre os
Remonstrantes, poucos anos após a sua morte, enquanto procuravam desenvolver
uma teologia mais consistente sobre a graça universal.[14]
NOTAS:
[1] - Escrito por
Guy de Brés, em 1561.
[2] - Escrito por Caspar
Olevianus e Zacharias Ursinus, em 1563.
[3] - Justo L. Gonzalez, Uma
História do Pensamento Cristão: Da Reforma ao Século 20 (São Paulo, Ed.
Cultura Cristã, 2004), p. 27.
[4] - Ricardo Cerni, Historia
Del Protestantismo (Edinburgh, El Estandarte de
[5] - Lembrando que a
Igreja Reformada e o Estado se encontravam entrelaçadas desde o início da
Reforma, e uma heresia, não era simplesmente um erro, ou discordância
doutrinária, mas também um crime político contra o Estado.
[6] - Esse era o nome que
designava os Países Baixos.
[7] - Ricardo Cerni, História
del Protestantismo, , pp. 127-128.
[8] - Estudo do Ser,
Atributos e Obras de Deus.
[9] - James Arminius, The Works of James
Arminius, vol. 1, p. 335 citado por Paul K. Jewett, Elección y
Predestinación (Jenison, TELL, 1992), p. 29.
[10] - Sistema doutrinário
que nega a Trindade, afirmando que Deus é apenas um Ser e uma só Pessoa.
[11] - Doutrina da
salvação.
[12] - James Orr, El
Progresso del Dogma (Terrassa, CLIE, 1988), p. 239.
[13] - Tony Lane, Pensamento
Cristão (São Paulo, Abba Press, 1999) p. 24.
[14] - R.K. Mc Gregor
Wright, A Soberania Banida (São Paulo, Ed. Cultura Cristã), p. 31.
[15] - Albert H.
Newman, A Manual of Church History, vol. II, p. 347
[16] - Os Cânones de Dort
(São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1998), p. 11.
NB.:
Confira: http://apologetic.waetech.com.br/PastoresNoInferno.htm