OS CINCO ARTIGOS DE FÉ CONTRA OS ARMINIANOS

Alguns Comentários por Waldemar Janzen

Decisões do Sínodo de Dort 1618-1619

Isto não valida as afirmações arminianas. Armínius acreditava na eleição conforme Calvino e não cria na trindade, e muitas outras coisas erradas.

NR: Nota do redator destes comentários

Afirmações consideradas certas em azul

Afirmações consideradas erradas em vermelho

1º Capítulo da doutrina: A divina eleição e reprovação

 

Artigo 1 - Toda a humanidade é condenável perante Deus

Artigo 2 - O envio do Filho de Deus

Artigo 3 - A pregação do Evangelho

Para que os homens sejam conduzidos à fé, Deus envia, em sua misericórdia, mensageiros desta mensagem muito alegre a quem e quando Ele quer. Pelo ministério deles, os homens são chamados ao arrependimento e à fé no Cristo crucificado. Porque "...como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?..." (Rom. 10:14, 15).

Artigo 4 - Um duplo resultado

A ira de Deus permanece sobre aqueles que não crêem neste Evangelho. Mas aqueles que o aceitam e abraçam Jesus, o Salvador, com uma fé verdadeira e viva, são redimidos por Ele da ira de Deus e da perdição, e presenteados com a vida eterna (Jo. 3:36; Mc 16:16).

Artigo 5 - A causa da incredulidade e a fonte da fé

Em Deus não está, de forma alguma, a causa ou culpa desta incredulidade. O homem tem a culpa dela, tal como de todos os demais pecados. Mas a fé em Jesus Cristo e também a salvação por meio dEle são dons gratuitos de Deus, como está escrito: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus..." (Ef. 2:8). Semelhantemente, "Porque vos foi concedida a graça de..." crer em Cristo (Fp 1:29).

(NR.: Observe a responsabilidade ao nosso encargo nas citações acima, então compare com a anulação destas nossas responsabilidades nas afirmações abaixo.)

Artigo 6 - Decreto eterno de Deus

Deus dá nesta vida a fé a alguns enquanto não dá a fé a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. ...

Artigo 7 - Eleição definida

Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. ...

Artigo 8 - Um só decreto de eleição

Artigo 9 - Eleição não baseada em fé prevista

Esta eleição não é baseada em fé prevista, em obediência de fé, santidade ou qualquer boa qualidade ou disposição, que seria uma causa ou condição previamente requerida ao homem para ser escolhido. ...

Artigo 10 - Eleição baseada no bom propósito de Deus

A causa desta eleição graciosa é somente o bom propósito de Deus. ...

Artigo 11 - Eleição imutável

Como Deus é supremamente sábio, imutável, onisciente, e Todo-Poderoso, assim sua eleição não pode ser cancelada e depois renovada, nem alterada, revogada ou anulada; nem mesmo podem os eleitos ser rejeitados, ou o número deles ser diminuído.

Artigo 12 - A certeza da eleição

Os eleitos recebem, no devido tempo, a certeza da sua eterna e imutável eleição para salvação, ainda que em vários graus e em medidas desiguais. Eles não a recebem quando curiosamente investigam os mistérios e profundezas de Deus. Mas eles a recebem, quando observam em si mesmos, com alegria espiritual e gozo santo, os infalíveis frutos de eleição indicados na Palavra de Deus - tais como uma fé verdadeira em Cristo, um temor filial para com Deus, tristeza com seus pecados segundo a vontade de Deus, e fome e sede de justiça.

Artigo 13 - O valor desta certeza

Artigo 14 - Como a eleição deve ser ensinada

A doutrina da divina eleição, segundo o mui sábio conselho de Deus, foi pregada pelos profetas, por Cristo mesmo, e pelos apóstolos, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, e depois escrita e nos entregue nas Escrituras Sagradas. ...

Artigo 15 - Reprovação descrita

A Escritura Sagrada mostra e recomenda a nós esta graça eterna e imerecida sobre nossa eleição, especialmente quando, além disso, testifica que nem todos os homens são eleitos, mas que alguns não o são, ou seja, são passados na eleição eterna de Deus. ...

Artigo 16 - Como a doutrina da reprovação deve ser recebida

Há pessoas que não sentem fortemente a fé viva em Cristo, nem confiança firme no coração, nem boa consciência, nem zelo pela obediência filial e pela glorificação de Deus por meio de Cristo. Apesar disso elas usam os meios pelos quais Deus prometeu operar tais coisas em nós. Elas não devem se desanimar quando a reprovação for mencionada nem contar a si mesmos entre os reprovados. Pelo contrário, devem continuar diligentemente no uso destes meios, desejando ferventemente dias de graça mais abundante e esperando-os com reverência e humildade. Não devem se assustar de maneira nenhuma com a doutrina da reprovação os que desejam seriamente se converter a Deus, agradar só a Ele e serem libertos do corpo de morte, mas ainda não podem chegar no ponto que gostariam no caminho da piedade e da fé. O Deus misericordioso prometeu não apagar a torcida que fumega, nem esmagar a cana quebrada. Mas esta doutrina é certamente assustadora para os que não contam com Deus e o Salvador Jesus Cristo e se entregaram completamente às preocupações do mundo e aos desejos da carne, enquanto não se converterem seria mente a Deus.

Artigo 17 - Filhos de crentes que morrem na infância

Artigo 18 - Protesto não, e sim adoração

Aqueles que reclamam contra esta graça de eleição imerecida e a severidade da justa reprovação, nós replicamos com esta sentença do apóstolo: "Quem és tu, ó homem para discutires com Deus?!" (Rom 9:20). E com esta palavra do Salvador: "Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu?" (Mt 20:15). Nós entretanto, adorando reverentemente estes mistérios, exclamamos com o...

Rejeição de erros

Havendo explicado a doutrina ortodoxa de eleição e reprovação, o Sínodo rejeita os seguintes erros:

 

Erro 1 - A vontade de Deus para salvar aqueles que crerem e perseverarem na fé e na obediência da fé é o decreto inteiro e total da eleição para salvação. Nada mais sobre este decreto foi revelado na Palavra de Deus.

Refutação - Este erro engana aos simples e claramente contradiz a Escritura. Ela testifica não apenas que Deus salvará aqueles que crêem mas também que escolheu específicas pessoas desde a eternidade. Nesta vida Ele dará a estes eleitos a fé em Cristo e perseverança, que Ele não dá a outros; ...

2 º Capítulo da doutrina: A morte de Cristo e a redenção do homem por meio dela

Artigo 1 - A Justiça de Deus exige punição

Deus é não só supremamente misericordioso mas também supremamente justo. E como Ele se revelou em sua Palavra, sua justiça exige que nossos pecados, cometidos contra sua infinita majestade, sejam punidos nesta vida e na futura, em corpo e alma. Não podemos escapar destas punições a menos que seja cumprida a justiça de Deus.

Artigo 6 - Por que alguns não crêem

Muitos que têm sido chamados pelo Evangelho não se arrependem nem crêem em Cristo, mas perecem na incredulidade. Isto não acontece por causa de algum defeito ou insuficiência no sacrifício de Cristo na cruz, mas por causa de sua própria culpa.

Artigo 7 - Por que outros crêem

Mas aqueles que verdadeiramente crêem e, pela morte de Cristo, são libertos e salvos dos seus pecados e perdição, recebem tal benefício apenas por causa da graça de Deus, que lhes é dada, em Cristo, desde a eternidade. Deus não deve a ninguém tal graça.

Artigo 8 - A eficácia da morte de Cristo

(Nota: Este é o erro central do Dogma da imperdibilidade da salvação em torno do qual todo o resto é interpretado erroneamente.)

Pois este foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de seu Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança) redimisse efetivamente de todos os povos, tribos, línguas e nações, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos, e Lhe foram dado pelo Pai. Deus quis que Cristo lhes desse a fé, que Ele mesmo lhes conquistou com sua morte, junto com outros dons salvíficos do Espírito Santo. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até ao fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em glória, "sem mácula, nem ruga" (Ef 5:27).

Artigo 9 - O cumprimento do conselho de Deus

Rejeição de erros

Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros: 

Erro 1 - Deus o Pai destinou seu Filho à morte na cruz sem um decreto definido de determinadas pessoas. ...

Refutação - Esta doutrina é uma ofensa à sabedoria do Pai, ao mérito de Cristo e é contrária à Escritura. Pois o nosso Salvador afirma: "... dou a minha vida pelas ovelhas." e "eu as conheço..." (Jo 10:15, 27). E o profeta Isaías fala acerca do Salvador: "... quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos." (Is 53:10). Finalmente, este erro invalida o artigo de fé pelo qual confessamos a Igreja universal de Cristo.

(NR.: Um pré-conceito ou outro dogma errado. Se preocupam que um artigo de sua fé é invalidado mas não se preocuparam que afirmações claras de Jesus e das Sagradas Escrituras foram anuladas. Jesus já se queixava dos fariseus de sua época: “Anulando a Palavra de Deus pela sua tradição, que vocês transmitiram,” Marcos 7:13a).

(NR.: Curiosamente aqui condenam de erro o que afirmaram como doutrina nos artigos 3º,4º e 5º !!)

Erro 6 - Deus, por sua parte, quer dar a todas as pessoas igualmente os benefícios conquistados pela morte de Cristo. Entretanto algumas obtêm o perdão de pecados e a vida eterna, e outras não. Esta distinção depende de sua própria livre vontade que se junta à graça que é oferecida sem distinção. Mas não depende do dom especial da misericórdia que opera tão poderosamente nestas pessoas, que elas, diferentes de outras, se apropriam desta graça.

Refutação - Os que ensinam assim abusam da distinção entre aquisição e apropriação da salvação para implantar esta opinião nas mentes de pessoas imprudentes e sem experiência. Enquanto eles simulam apresentar esta distinção da maneira correta, procuram induzir na mente do povo o perigoso veneno dos erros pelagianos.

3º e 4º Capítulos da Doutrina: A corrupção do homem, a sua conversão a Deus e o modo dela.

Artigo 1 - O resultado da queda

Artigo 2 - Corrupção espalhada

Artigo 3 - Incapacidade total do homem

Artigo 4 - A insuficiência da luz da natureza

Artigo 5 - A insuficiência da lei

Artigo 6 - A necessidade do Evangelho

Aquilo que a luz natural nem a lei podem fazer, Deus o faz pelo poder do Espírito Santo e pela pregação ou ministério da reconciliação, que é o Evangelho do Messias. Agradou a Deus usar este Evangelho para salvar os crentes, tanto na antiga quanto na nova aliança.

 

(NR.: (Smile) “Não vim chamar justos para o arrependimento, mas pecadores” Lucas 5:32, obcecados à cegueira. Crentes não precisam ser salvos.)

Artigo 7 - Por que o Evangelho é enviado a alguns e a outros não

Artigo 8 - O sério chamado pelo Evangelho

Mas tantos quantos são chamados pelo Evangelho, seriamente o são. Porque Deus revela séria e sinceramente em sua Palavra o que Lhe agrada, a saber, que aqueles que são chamados venham a Ele. Ele também seriamente promete descanso para a alma e vida eterna a todos que a Ele vierem e crerem.

(NR: Também discurso inicial. Observe o verbo: “vierem e crerem”. Isto é obra do sujeito que é chamado. Se fosse eleito seria “trazidos e feitos crer”)

Artigo 9 - Por que alguns que são chamados não vêm

Muitos são chamados através do ministério do Evangelho mas não vêm nem são convertidos. Não é a culpa do Evangelho, nem do Cristo que é oferecido pelo Evangelho, nem de Deus que chama através do Evangelho e inclusive confere vários dons a eles. Mas é sua própria culpa. Alguns deles não aceitam a Palavra da vida por descuido. Outros de fato a recebem, mas não em seus corações, e por isso, quando desaparece a alegria de sua fé temporária, viram as costas à Palavra. Ainda outros sufocam a semente da Palavra com os espinhos dos cuidados e prazeres deste mundo, e não produzem nenhum fruto. Isto é o que o Salvador ensina na parábola do semeador (Mt 13).

(NR: Observe, também aqui voltaram ao discurso inicial e continua abaixo até o meio do artigo 10, então novamente inverte. A faculdade de o pecador poder escolher pela fé é a chamada “heresia orgulhosa”. Vide abaixo.)

Artigo 10 - Por que outros que são chamados vêm

Outros que são chamados pelo ministério do Evangelho vêm e são convertidos. Isto não pode ser atribuído ao homem, como se ele se distinguisse por sua livre vontade de outros que receberam a mesma e suficiente graça para fé e conversão, como a heresia orgulhosa de Pelágio afirma. Mas isto deve ser atribuído a Deus: como Ele os escolheu em Cristo desde a eternidade, assim Ele os chamou efetivamente no tempo. Ele lhes dá fé e arrependimento; Ele os livra do poder das trevas e os transfere para o reino de seu Filho. Tudo isto Ele faz a fim de que eles proclamem as grandes virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, e se gloriem não em si mesmos mas no Senhor, como é o testemunho geral dos escritos apostólicos (Col 1:13; 1 Pe 2:9; 1 Cor 1:31).

(NR: O “deve ser” denota incerteza. Uma boa pergunta de como se pode dar arrependimento! Isto, em si, é uma auto-contradição.)

Artigo 11 - Como ocorre a conversão

Deus realiza seu bom propósito nos eleitos e opera neles a verdadeira conversão da seguinte maneira: Ele faz com que ouçam o Evangelho mediante a pregação e poderosamente ilumina suas mentes pelo Espírito Santo de tal modo que possam entender corretamente e discernir (NR.:O “possam” expressa apenas capacitação, o “realizar” requer vontade própria.) as coisas do Espírito de Deus. Mas pela operação eficaz do mesmo Espírito regenerador, Deus também penetra até os recantos mais íntimos do homem. Ele abre o coração fechado e amolece o que está duro, circuncida o que está incircunciso e introduz novas qualidades na vontade. Esta vontade estava morta, mas Ele a faz reviver; era má, mas Ele a torna boa; estava indisposta, mas Ele a torna disposta; era rebelde, mas Ele a faz obediente. Ele move e fortalece esta vontade de tal forma que, como uma boa árvore, seja capaz de produzir frutos de boas obras (I Cor 2:14).

Artigo 12 - O caráter divino da regeneração

Artigo 13 - Regeneração é incompreensível

Artigo 14 - Fé, um dom de Deus

Fé é, portanto, um dom de Deus. Isto não significa que Deus a oferece à livre vontade do homem, mas que ela é, de fato, conferida ao homem e nele infundida. Não é um dom no sentido de que Deus apenas concede poder para crer e depois espera da livre vontade do homem o consentimento para crer ou o ato de crer. Ao contrário, é um dom no sentido de que Deus efetua no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer. Ele opera tanto o querer como o realizar, sim, opera tudo em todos. (Ef 2:8; Fp 2:13).

Artigo 15 - Atitude cristã com respeito à graça imerecida de Deus

Artigo 16 - A vontade do homem não é eliminada mas vivificada

Artigo 17 - O uso dos meios

Rejeição de erros

Erro 4 - O homem não-regenerado não é realmente ou totalmente morto em pecados, ou privado de toda capacidade para fazer o bem. Ele ainda pode ter fome e sede de justiça e vida, e pode oferecer sacrifício de espírito contrito e quebrantado que agrada a Deus.

(NR.: Confira no caso de Cornélio em Atos 10. NR. Ele foi atendido por Deus antes de ser salvo. Lídia idem.)

Refutação - Estas afirmações são contrárias ao testemunho claro da Escritura: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Ef 2:1; cf.vs.5). E, "...era continuamente mau todo o desígnio do seu coração" (Gn 6:5; cf.8:21). Além do mais, somente os regenerados e os bem-aventurados têm fome e sede da libertação da miséria, e da vida, e oferecem a Deus um sacrifício de espírito quebrantado (Sl 51:19 e Mt 5:6).

 seus próprios caminhos" (At 14:16). E Paulo e seus companheiros

Erro 8 - Na regeneração do homem Deus não usa os poderes de sua onipotência de tal maneira que Ele dobra a vontade do homem, à força e infalivelmente, para fé e conversão. Mesmo sendo realizadas todas as operações da graça que Deus possa usar para converter o homem e mesmo que Deus tenha a intenção e a vontade de regenerá-lo, o homem ainda pode resistir a Deus e ao Santo Espírito. De fato freqüentemente resiste, chegando a impedir totalmente sua regeneração. Portanto ser ou não ser regenerado permanece no poder do homem.

Refutação - Isto é nada mais nada menos que anular todo o poder da graça de Deus em nossa conversão e sujeitar a operação do Deus Todo-Poderoso à vontade do homem. É contrário ao que os apóstolos ensinam: cremos "... segundo a eficácia da força do seu poder" (Ef 1:19), e: "...para que nosso Deus cumpra... com poder todo propósito de bondade e obra de fé..." (2 Ts 1:11), e também: "...pelo seu divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e piedade..." (2 Pe 1:3).

 (NR: Erram porque graça não é um poder e sim uma dádiva.)

5o. Capítulo da doutrina: A perseverança dos santos

Artigo 1 - O regenerado não livre do seu pecado

Artigo 2 - Pecados diários de fraqueza

Artigo 3 - Deus preserva os seus

Artigo 4 - Os santos podem cair em pecados sérios

O poder de Deus, pelo qual Ele confirma e preserva os verdadeiros crentes na graça, é tão grande que isto não pode ser vencido pela carne (NR: Mateus 10:33 Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus. 2 Timóteo 2:12 se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará;). Mas os convertidos nem sempre são guiados e movidos por Deus, e assim eles poderiam, em certos casos, por sua própria culpa, se desviar da direção da graça, e ser seduzidos pelos desejos da carne e segui-los. Devem, portanto, vigiar constantemente e orar para que não caiam em tentação. Quando não vigiarem e orarem, eles podem ser levados pela carne, pelo mundo e por Satanás para sérios e horríveis pecados. Isto ocorre também muitas vezes pela justa permissão de Deus. A lamentável queda de Davi, Pedro e outros santos, descrita na Sagrada Escritura, demonstra isto.

Artigo 5 - Os efeitos de tais pecados sérios

Por tais pecados grosseiros, entretanto, eles causam a ira de Deus, se tornam culpados da morte, entristecem o Espírito Santo, suspendem o exercício da fé, ferem profundamente suas consciências e algumas vezes perdem temporariamente a sensação da graça. Mas quando retornam ao reto caminho por meio de arrependimento sincero, logo a face paternal de Deus brilha novamente sobre eles.

 

(NR: A ira de Deus só vem sobre os filhos da desobediência, os perdidos: Efésios 5:6 Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

Colossenses 3:6 pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;)

Artigo 6 - Deus não permite que seus eleitos se percam

Pois Deus, que é rico em misericórdia, de acordo com o imutável propósito da eleição, não retira completamente o seu Espírito dos seus, mesmo em sua deplorável queda. Nem tão pouco permite que venham a cair tanto que recaiam da graça da adoção e do estado de justificado. Nem permite que cometam o pecado que leva à morte, isto é, o pecado contra o Espírito Santo e assim sejam totalmente abandonados por Ele, lançando-se na perdição eterna.

(NR.: No artigo 5º ainda fala de culpados da morte e já no sexto nega que é possível!?)

Artigo 7 - Deus quer renovar os eleitos para arrependimento

Pois, em primeiro lugar, em tal queda, Deus preserva neles sua imperecível semente da regeneração, a fim de que esta não pereça nem seja lançada fora. Além disto, através da sua Palavra e seu Espírito, certamente Ele os renova efetivamente para arrependimento. Como resultado eles se afligem de coração com uma tristeza para com Deus pelos pecados que têm cometido; procuram e obtêm pela fé, com coração contrito, perdão pelo sangue do Mediador; e experimentam novamente a graça de Deus, que é reconciliado com eles, adorando sua misericórdia e fidelidade. E de agora em diante eles se empenham mais diligentemente pela sua salvação com temor e tremor.

(NR.: Há como se reconciliar mais de uma vez? Uma vez afirmam que não há como se perder, depois afirmam que Deus é reconciliado com eles. Por outro lado, não somos nós que devemos ser reconciliados com Deus? Como Deus precisa ser reconciliado conosco? Isto está invertido!)

 

Artigo 8 - A graça do trino Deus preserva

Assim, não é por seus próprios méritos ou força mas pela imerecida misericórdia de Deus que eles não caiam totalmente da fé e da graça e nem permaneçam caídos ou se percam definitivamente. Quanto a eles, isto facilmente poderia acontecer e aconteceria sem dúvida. Porém, quanto a Deus, isto não pode acontecer, de modo nenhum. Pois seu decreto não pode ser mudado, sua promessa não pode ser quebrada, seu chamado em acordo com seu propósito não pode ser revogado. Nem o mérito, a intercessão e a preservação de Cristo podem ser invalidados, e a selagem do Espírito tão pouco pode ser frustrada ou destruída.

(NR.: Isto merece uma reflexão. Onde se encontra o referido decreto? Mesmo assim ele só se aplicaria para a parte que cabe a Deus. Se, no entanto, se atribui tudo a Deus, tanto o vir, como crer e obedecer e se arrepender então seria correto. Mas Deus jamais se pode arrepender em nosso lugar. Veja como uma afirmação, a exaltação de um dogma, leva à conclusão errada.)

Artigo 9 - A certeza desta preservação

Os crentes podem estar certos e estão certos desta preservação dos eleitos para salvação e da perseverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza é de acordo com a medida de sua fé, pela qual eles crêem com certeza que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que têm o perdão de pecados e a vida eterna.

 

(NR.: Quer dizer eu preciso ter fé para crer que sou e permanecerei verdadeiro e vivo membro da igreja e crer que eu tenho o perdão de pecados e a vida eterna. Poxa, por que Deus não faz isto por mim também?)

Artigo 10 - O fundamento desta certeza

Esta certeza não vem de uma revelação especial, sem ou fora da Palavra, mas vem da fé nas promessas de Deus, que Ele revelou abundantemente em sua Palavra para nossa consolação. Vem também do testemunho do Espírito Santo, testificando com o nosso espírito de que somos filhos e herdeiros de Deus; e finalmente, vem do zelo sério e santo por uma boa consciência e por boas obras. E se os eleitos não tivessem neste mundo a sólida consolação de obter a vitória e esta garantia infalível da glória eterna,seriam os mais miseráveis de todos os homens (Rom 8:16,17).

(Obs.: Pasmem. A certeza da salvação vem pela fé na obra de Cristo na cruz. Pelo fato de Ele ter realizado a minha redenção ela é certa e segura, não pelo meu zelo nem pelas minhas obras, nem pelo meu sentimento.)

Artigo 11 - Esta certeza nem sempre é sentida

No entanto, a Escritura testifica que os crentes nesta vida têm de lutar contra várias dúvidas da carne e, sujeitos a graves tentações, nem sempre sentem plenamente esta confiança da fé e certeza da perseverança. Mas Deus, que é Pai de toda a consolação, não os deixa ser tentados além de suas forças, mas com a tentação proverá também o livramento e pelo Espírito Santo novamente revive neles a certeza da perseverança (I Cor. 10:13).

(NR.: Este é um drama de adeptos deste dogma. Não sentem a certeza como se ela dependesse de ser sentida. Ela depende da fé/confiança na obra de Cristo e não de sentimentos!!

Artigo 12 - Esta certeza não leva a acomodação

(NR: Confira: http://apologetic.waetech.com.br/PastoresNoInferno.htm)

Artigo 13 - Esta certeza produz diligência

Artigo 14 - Incluído o uso de meios

Artigo 15 - Esta doutrina é odiada por Satanás mas amada pela Igreja

Deus revelou abundantemente em sua Palavra esta doutrina da perseverança dos verdadeiros crentes e santos, e da certeza dela, para a glória do seu Nome e para a consolação dos piedosos. Ele a imprime nos corações dos crentes, mas a carne não pode entendê-la. Satanás a odeia, o mundo zomba dela, os ignorantes e hipócritas dela abusam, e os heréticos a ela se opõem. A Noiva de Cristo, entretanto, sempre a tem amado ternamente e defendido constantemente como um tesouro de inestimável valor. Deus, contra quem nenhum plano pode se valer e nenhuma força pode prevalecer, cuidará para que a Igreja possa continuar fazendo isso. Ao único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, sejam a honra e a glória para sempre. Amém!

(NR.: Não bem convencidos de sua exegese, conclamam a ira de Satanás como apoio à fragilidade da sua tese. Considero isto uma maneira covarde de argumentar. Nenhum versículo bíblico de corroboração para esta postura é possível citar.)

Rejeição de erros

Havendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:

 

Erro 1 - A perseverança dos verdadeiros crentes não é resultado da eleição ou um dom de Deus obtido pela morte de Cristo. É uma condição da nova aliança, que o homem deve cumprir pela sua livre vontade antes da assim chamada eleição decisiva, e justificação.

Refutação - A Escritura Sagrada testifica que a perseverança provém da eleição e é dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurreição e intercessão de Cristo: "a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos" (Rom 11:7). Também: "Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rom 8:32-35)

 

Erro 2 - Deus de fato provê os crentes de suficientes forças para perseverar, e está pronto para preservar tais forças nele, se este cumprir seu dever; mas ainda que todas estas coisas tenham sido estabelecidas, que são necessárias para perseverar na fé e que Deus usa para preservar a fé, ainda assim dependerá da vontade humana se perseverar ou não.

Refutação - Esta idéia é abertamente pelagiana. Enquanto deseja libertar o homem, o faz usurpador da honra de Deus. Combate o consenso geral da doutrina evangélica que retira do homem todo motivo de orgulho e atribui todo louvor por este benefício somente à graça de Deus. É também contrário ao apóstolo que declara: "...o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1:8).

 (NR.: Está aí o que afirmei acima. O motivo da doutrina é: retirar do homem todo motivo de orgulho e atribuir todo louvor por este benefício somente à graça de Deus. Isto é um dogma pré-estabelecido, ao qual tudo deve ser sujeitado. É idêntico à tese dos evolucionistas que partem do pressuposto de que a evolução é um fato logo todas as ponderações devem ser sujeitas à esta afirmação. Basta ler a parábola do servo perverso em Mateus 18:21-35 para saber que toda esta doutrina é dos homens e satanás gosta dela (idem).)

Erro 3 - Crentes verdadeiramente regenerados não só podem perder completa e definitivamente a fé justificadora, a graça e a salvação, mas de fato as perdem freqüentemente e assim se perdem eternamente.

Refutação - Esta opinião invalida a graça, justificação, regeneração e contínua preservação por Cristo. Ela é contrária às palavras expressas do apóstolo Paulo: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rom 5:8,9). É contrária ao apóstolo João: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando porque é nascido de Deus" (1 Jo 3:9). Também é contrária às palavras de Jesus Cristo: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10:28,29).

 

Erro 4 - Verdadeiros crentes regenerados podem cometer o pecado que leva à morte ou o pecado contra o Espírito Santo.

Refutação - Após o apóstolo João ter falado no 5º capítulo de sua 1ª carta, versos 16 e 17, sobre aqueles que pecam para morte e de ter proibido de orar por eles, logo acrescenta no verso 18: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado, antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno não lhe toca."

Erro 5 - Sem uma revelação especial não podemos ter nesta vida, nenhuma certeza da perseverança futura.

Refutação - Por tal doutrina o seguro consolo dos crentes verdadeiros nesta vida é tirado, e as dúvidas dos seguidores do papa são novamente introduzidas na igreja. As Escrituras Sagradas, entretanto, sempre deduzem esta segurança, não a partir de uma revelação especial e extraordinária, mas a partir das marcas dos filhos de Deus e das promessas mui firmes dEle. Especialmente o apóstolo Paulo ensina isto:"...nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que há em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rom 8:39). E João escreve: "E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que Ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu" (1 Jo 3:24).

 (NR: Parece que olham mas não enxergam. Aqui está:aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus”. A guarda é imputada a nós. Com isto estão refutados todos os argumentos a favor da imperdibilidade da salvação acima!! E ponto final!!)

 

Erro 6 - Por sua própria natureza a doutrina da certeza da perseverança e da salvação causa falsa segurança e prejudica a piedade, os bons costumes, orações e outros santos exercícios. Ao contrário, é louvável duvidar desta certeza.

Refutação - Esta falsa doutrina ignora o efetivo poder da graça de Deus e a operação do Santo Espírito, que habita em nós. Contradiz o apóstolo João que, em palavras explícitas, ensina o contrário: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque havemos de vê-Lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, como ele é puro." (1 Jo 3:2,3) Ainda mais, ela é refutada pelos exemplos dos santos tanto no Antigo como no Novo Testamento, que, não obstante estarem certos de sua perseverança e salvação, continuaram em oração e outros exercícios de piedade.

 (NR.: Veja aqui afirma novamente e categoricamente que é nosso dever e responsabilidade de nos purificarmos.)

Erro 7 - A fé daqueles que crêem apenas por um tempo não é diferente da fé justificadora e salvadora, a não ser com respeito à sua duração.

Refutação - Em Mt 13:20-23 e Lc 8:13-15 Cristo mesmo indica claramente, além da duração, uma tríplice diferença entre os que crêem só por um tempo e os verdadeiros crentes. Ele declara que o primeiro recebe a semente em terra rochosa, mas o último em bom solo, ou seja, em bom coração; que o primeiro é sem raiz, mas o último tem firme raiz; que o primeiro não tem fruto, mas o último produz fruto em várias medidas, constante e perseverantemente.

 

Erro 8 - Não é absurdo o fato de alguém, tendo perdido sua primeira regeneração, nascer de novo e mesmo freqüentemente nascer de novo.

Refutação - Esta doutrina nega que a semente de Deus, pela qual somos nascidos de novo, seja incorruptível. Isto é contrário ao testemunho do apóstolo Pedro: "...pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível..." (I Ped. 1:23).

 

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CONCLUSÃO

Esta é a declaração clara, simples, e sincera da doutrina ortodoxa com respeito aos Cinco Artigos de Fé disputados na Holanda; e esta é a rejeição dos erros pelos quais as Igrejas têm sido perturbadas, por algum tempo. O Sínodo de Dort julga a presente declaração e as rejeições serem tiradas da Palavra de Deus (NR.: Na refutação do erro 2 do artigo 15 afirmam algo diferente. Lá eles falam de uma premissa básica, a qual deve ser defendida e abusam da interpretação para chegarem ao resultado desejado.) e conforme as Confissões das Igrejas Reformadas.

 

NR.:Comentários finais

Ao enaltecerem a graça jogaram a verdade na lata de lixo e estancaram a possibilidade de busca pela verdade bíblica.

Não foi o meu intento escrever recomendações, mas, visto ao acima não consigo me calar. Compadeço-me profundamente com os intelectuais fiéis desta igreja aqueles que estão amordaçados pela camisa de força das Decisões do Sínodo de Dort, e caladamente tem que engolir estas contradições, ou até, contra a convicção pessoal, tem que ensinar nas suas igrejas com o que não concordam para não serem segregados como heréticos e agentes do diabo.

Há de se concordar que Deus só é justo se ele é lógico. Pode até ser bem acima da nossa lógica, mas tem que ser lógico. Não há justiça sem lógica.

As decisões do sínodo de Dort ferem constantemente as afirmações bíblicas contrárias para atingir sua premissa pré-estabelecida.

Como já afirmado acima, isto é a mesma atitude dos evolucionistas. Não há como criticar estes sem abandonar a sua própria atitude incoerente.

Por outro lado estou plenamente consciente de como é difícil modificar um documento destes porque a maioria sempre segue cegamente ao invés de pensar. Desta forma documentos assim são mais fortes do que a própria Bíblia e pesam como uma maldição. Quem lhes tocar é anátema.

Se alguém na direção desta igreja ler estas linhas recomendo

1- Abrandar a força deste documento

2- Reforçar a autoridade da Bíblia

3- Destacar de que se tratava da visão da circunstância da época

4- Abri-lo oficialmente para comentários sem ameaças

5- Confirmar o que é certo

6- Corrigir o que está errado.

 

Condensado dos pontos relevantes dos erros de Armínius 

por Waldemar Janzen

de

Breve Histórico das Origens do Arminianismo

por

Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki

Jacob van Harmazoon (1560-1609), ou como é conhecido por seu nome latinizado Jacobus Arminius, nasceu em Oudewater na Holanda. Primeiro estudou teologia na Universidade Marburg em Leyden (1575-1581), também estudou em Basiléia (1582-1583), e posteriormente na Academia de Genebra na Suíça (1584-1586), onde recebeu aulas do próprio reformador Theodoro Beza, sucessor de João Calvino.

Arminius foi escolhido pelo Sínodo holandês em 1589, para defender a doutrina oficial da Igreja Reformada Holandesa.

Arminius realizou uma exposição na epístola de Romanos analisando os capítulos 7-9. Nestas palestras ele questionou a interpretação calvinista desta passagem, preferindo uma forma de Semipelagianismo modificada, o que veio a chamar-se Arminianismo .

Franciscus Gomarus que, primeiramente, foi professor de Arminius, tornou-se seu principal inimigo. Todos os que defendiam a posição calvinista, ficaram conhecidos, naquele período na Holanda, como gomaristas.

Gomarus foi uma figura decisiva no Sínodo de Dort, em defesa da opinião calvinista.

A Igreja Oficial Holandesa era confessionalmente calvinista. Os teólogos e partidários de Arminius não admitiam a limitação confessional, e procuravam obter a revisão dos credos oficiais.

Ricardo Cerni comenta que no sombrio marco desta questão ressuscitou um antigo problema sócio-político polarizado na rivalidade existente entre Maurício de Nassau (filho de William de Orange, e o protetor do proletariado), e Jan Barnevelt, um dos fundadores da república e líder da alta burguesia. Em geral, esta classe social era partidária da postura arminiana, e usando de sua evidente influência política conseguiram, através de Hugo Groot (Grotius, 1583-1645) a publicação de um Edito para que se proibisse nas igrejas a pregação de temas “controvertidos”, incluindo, obviamente, a questão da predestinação. Os calvinistas ortodoxos protestaram imediatamente estimando aquele que era um ato de verdadeira perseguição. [7]

O problema teológico de Arminius tinha as suas raízes em sua teontologia [8]. As suas conclusões acerca da salvação, não eram resultados apenas de um conceito errado de livre arbítrio, ou do modus operandi da livre graça de Deus, e sim, do seu conceito acerca da Trindade. Arminius falando do seu conceito da divindade de Cristo e do Espírito, afirma que “esta maneira de falar é nova, herética e sabeliana, e em si, é blasfemo dizer que o Filho de Deus é homoousios (da mesma essência) porque somente o Pai é verdadeiro Deus, o Filho e o Espírito não o são.” [9] Além de demonstrar certa deficiência na área de teologia histórica, a sua teontologia resulta conseqüentemente num Unitarismo. [10]

A conseqüência dessa teologia em tom unitarista, unida a um conceito errôneo de livre arbítrio é que a sua Soteriologia [11] e todas as demais divisões da dogmática, coerentemente, sofreram modificações bastante significativas. Não é de se estranhar que os discípulos de Arminius distanciaram-se do seu tom protestante original. Os nomes de teólogos arminianos como “Episcopius, Grocius, Curcellaeus, Limborch, e sua elaboração de imponentes volumes, do material dogmático, não conseguem esconder o achatamento de todas as grandes doutrinas, e suas tendências crescentes em direção a Ário, a Pelágio e a Socínio”. [12]

O próprio Arminius era inconsistente em sua teologia. Embora negasse os quatro primeiros pontos do Calvinismo, ele incoerentemente aceitava o quinto. Numa obra chamada Declaração dos Sentimentos (1608) ele defende que Deus possui quatro tipos de decretos, sendo que o quarto “Deus decretou a salvação de certos indivíduos específicos – porque Ele anteviu que eles creriam e perseverariam até o fim”. [13]

Com o propósito de tornar sua teologia mais coerente os remonstrantes também negaram em seu quinto ponto a doutrina da Perseverança Final, conforme exposta pelo Calvinismo. Em sua avaliação sobre o assunto, Wright afirma que ele [Arminius] continuou até a crer na segurança eterna dos santos, embora este último aspecto do calvinismo tenha sido abandonado pelos seus seguidores entre os Remonstrantes, poucos anos após a sua morte, enquanto procuravam desenvolver uma teologia mais consistente sobre a graça universal.[14]


NOTAS:

[1] - Escrito por Guy de Brés, em 1561.

[2] - Escrito por Caspar Olevianus e Zacharias Ursinus, em 1563.

[3] - Justo L. Gonzalez, Uma História do Pensamento Cristão: Da Reforma ao Século 20 (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2004), p. 27.

[4] - Ricardo Cerni, Historia Del Protestantismo (Edinburgh, El Estandarte de la Verdad, 1992), p. 127

[5] - Lembrando que a Igreja Reformada e o Estado se encontravam entrelaçadas desde o início da Reforma, e uma heresia, não era simplesmente um erro, ou discordância doutrinária, mas também um crime político contra o Estado.

[6] - Esse era o nome que designava os Países Baixos.

[7] - Ricardo Cerni, História del Protestantismo, , pp. 127-128.

[8] - Estudo do Ser, Atributos e Obras de Deus.

[9] - James Arminius, The Works of James Arminius, vol. 1, p. 335 citado por Paul K. Jewett, Elección y Predestinación (Jenison, TELL, 1992), p. 29.

[10] - Sistema doutrinário que nega a Trindade, afirmando que Deus é apenas um Ser e uma só Pessoa.

[11] - Doutrina da salvação.

[12] - James Orr, El Progresso del Dogma (Terrassa, CLIE, 1988), p. 239.

[13] - Tony Lane, Pensamento Cristão (São Paulo, Abba Press, 1999) p. 24.

[14] - R.K. Mc Gregor Wright, A Soberania Banida (São Paulo, Ed. Cultura Cristã), p. 31.

[15] - Albert H. Newman, A Manual of Church History, vol. II, p. 347

[16] - Os Cânones de Dort (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1998), p. 11.


NB.: Confira: http://apologetic.waetech.com.br/PastoresNoInferno.htm

Doutrina

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