Serviço Militar
Por Waldemar Janzen
Fui vividamente lembrado mais uma vez deste tema por ocasião do
translado do meu querido pai para a presença do seu e nosso Salvador. Meu Pai era uma
pessoa que vivia as suas convicções e uma delas era de que prestar serviço militar
contraria frontalmente com o ensino do nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. Ele, meu pai,
jogava todas as cartas para nos livrar do serviço militar. Nossa mudança
para o Canadá, em 1967, foi efetuada basicamente por este motivo. Não era dinheiro.
Me perguntei muitas vezes por que tanto alvoroço em torno deste assunto. Matutando sobre
o mesmo me veio, em excência, o seguinte raciocínio:
Polícia e Militar
A diferença básica está em que a polícia mantém a ordem no meio do seu povo, Rom 13,
e neste sentido é serva de Deus, pois, bem ou mal, contribui para que a perversidade dos
atos do ser humano decaído seja mantido dentro de limites.
O militar, ao contrário, tem a incumbência de:
1- Defender a própria nação contra a invasão de outras nações
2- Entrar em defesa de nação aliada
3- Lutar pela conquista de territórios de uma outra nação
4- Integrar um corpo de paz qualquer.
Ambos prestam juramento, (inclusive os colandos do 3º grau, às vezes também já no 2º
grau) enquanto que Jesus ensina que não devemos jurar sob hipótese nenhuma. Mat 5, 34.
Um juramentado pode ser considerado estar dentro das especificações de 1. Tim 3 ? Como
vai ensinar a outros a não jurar? Esta é a primeira implicação.
A segunda se refere exclusivamente ao serviço militar. A incursão é quase sempre
política e dificilmente atende às ameaças legítimas. Basta um olhar na história.
Alguém não vai com a cara de outrém e forja um pretexto para combater e aínda a
arrastar outras nações para dentro do conflito.
No sermão da montanha Jesus ensinou, entre muitas outras coisas, que a simples
intenção, caso do olhar para outra mulher com cobiça, faz réu do pecado Mat
5,28. Por outro lado Paulo nos ensina que não devemos nos prender a um jugo
desigual com os infiéis, assunto muito debatido pouco tempo atrás pela COBIM. 2.Cor 6,
14.
O juramento à Bandeira não tem somente o inconveniente de prestar juramento e sim de se
declarar leal incondicional a um governo incrédulo. Este é um jugo de pacto de morte com
os infiéis.
Mais aínda.
Do outro lado, num eventual conflito, pode estar outro irmão na nação adversária nas
mesmas condições. A ordem é atirar. Não interessa que estamos em época de paz e não
atiramos no momento. A intenção, havemos ouvido ter dito Jesus, faz réu do pecado. Mas,
alguém se defenderia que não teve intenções de matar quando prestou o serviço
militar! O que então fez lá. A atividade do militar simplesmente inclui o matar do
inimigo, quem dele participa se expôs, por implicação, a matar.
Resumindo, poderia dizer-se que: já é insuportável imaginar-se um cristão tirar a vida
de um incrédulo, mas, tecnicamente, o irmão que prestou serviço militar e juramento à
Bandeira, é réu de assassinato do seu irmão em Cristo, pela simples implicação de ser
militar.
Alguém poderia se defender dizendo que trabalha apenas como mecânico ou outra profissão
qualquer no exército, ou vai atirar somente sobre as cabeças. Se é culpado, no primeiro
caso por aparelhar os matadores, cumplicidade, e no segundo pela morte dos próprios
colegas que foram mortos pelo inimigo que se deixou de matar, e ainda por se trair a
pátria e pela falsidade de fazer de conta que!
Já me arrependi da indiferença que mantive sobre o assunto, mesmo não tendo prestado
serviço militar nem jurado à Bandeira, e confessei este pecado a Deus pedindo pelo seu
perdão. A minha falta de posição clara sobre este assunto não deve ter motivado muitos
jovens, exceto os meus próprios filhos, a considerarem o serviço militar uma
desobediência a Deus, um pecado e uma predisposição para o compromisso.
Não seria uma bênção fazermos um apelo para que os irmãos renunciem, em especial os
obreiros, ao juramento prestado e comuniquem isto, por escrito, ao Quartel General do
Exército? Deus quer nos ver livre de todos os pecados e compromissos com o mundo.
Por outro lado, as coisas no mundo não parecem um mar de rosas, é possível que a
qualquer momento surja uma questão internacional de intriga e os combatentes são
convocados. Caso tenham renunciado não serão convocados, ao menos não por força do
juramento e a deserção não representará uma traição. Que estado de espírito, por
outro lado, nos dominará quando virmos os nossos irmãos mais jovens, alguns talvez nem
tanto, alguns pastores, diáconos e obreiros serem despedidos para a frente de batalha ou
como desertores fugitivos, como traidores da pátria? Ainda há tempo! Que Deus nos abra
os olhos e nos conceda perdão.
Existe uma missão de conscientizar os brasileiros do genocídio praticado contra a nação paraguaia na guerra do Paraguai, há hum e meio século atrás. É verdade. Atrocidades das mais bárbaras e selvagens nesta foram cometidas. À mando de quem? Inglaterra! Mesmo assim não nos podemos inocentar. Somos culpados pela totalidade dos crimes nesta cometidos. Nós não tivemos e não teremos soberania em qualquer guerra. Fomos, somos e seremos marionetes de interesses estrangeiros. Sensibilizar-n os e fazer-nos sentir culpados pelas atrocidades cometidas na guerra do Paraguai sem renunciar à ferramenta que nos transformou e transformarará em bestas genocidas (neste caso não há distinção de nação) é no mínimo miopia se não uma tremenda hipocrisia.
Quem jurou à bandeira deve sim pedir perdão por estes atos do passado por se dispor a repeti-los e simultaneamente renunciar ao juramento. Quem não fez tal juramento não tem o que se desculpar.