MÚSICA

Por Waldemar Janzen

 

INTRODUÇÃO: A música é um dos elementos mais difundidos e mais influentes da sociedade atual. Seja no casamento, funeral, carnaval ou propaganda, ela invariavelmente está presente. De certa forma pode-se dizer que a música teve uma explosão de massa. Nunca na história da humanidade se produziu em geral tanto quanto nos dias atuais e a música não faz a exceção.

Mesmo que os elementos que compõe a música sejam neutros, os seus usos combinados e ou seqüências nem tanto o são. Foi a influência da Reforma que produziu o primeiro grande boom musical. O que nós temos hoje como tesouro musical foi “garimpado” de um arsenal de alguns séculos. O que não tinha muito valor se perdeu.

Os  elementos da música, seus efeitos e manipulações:

 

a- A escala musical, menor e maior, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma seqüência de sons estabelecidos aleatoriamente por alguém. Os menos instruídos às vezes já me tem afirmado que os chineses tem uma outra escala musical e ela é tão válida como a nossa. Todo o respeito com os Chineses, mas essa afirmação simplesmente não é verdadeira. A nossa escala musical pode ser criada com um simples fio/corda esticado e um compasso ou um régua. Se encurtarmos a corda pela metade temos a oitava. De Dó até o Dó uma oitava acima. Se a encurtarmos em um terço do seu comprimento temos Sol, um quarto  Fá, um quinto  Mi, etc. A relação matemática das freqüências tem a mesma proporcionalidade que a relação dimensional da corda. O Dó central tem 262 ciclos por segundo logo o Dó uma oitava acima tem o dobro de ciclos por segundo, ou seja, 524. O Sol tem, 262 (Dó) vezes 3 dividido por 2 igual a, 392 ciclos por segundo. E assim por diante. O encurtamento dos espaços entre  trastes no violão e outros instrumentos é de acordo com a raiz doze de dois. Há leis bem definidas que estabelecem a nossa escala musical.

 

b- A melodia é uma seqüência de sons que de alguma forma se relacionam com o seus antecedentes e subsequentes. Esta lógica ocupa a nossa mente quando ouvimos a música. É ela quem transmite o espírito da cena musical que se pretende transmitir. Sua grandeza não se mede pelo malabarismo das notas muito menos pelo comprimento do tema musical. Veja, por exemplo, o famoso: “tchan, tchan, tchan, tchan”  tão famoso e que muita gente não sabe, é o tema musical de um movimento da quinta sinfonia de Bethoven. Pois é, o tema musical é só isso. O demais desse movimento é construído em cima desta seqüência. O tema musical do nosso hino nacional é muito mais longo. Se estende sobre o seguinte:” Ouviram do Ipiranga às margens plácidas”, o demais da música é derivado desse.  A cantabilidade e rapidez com que se aprende uma música está relacionado com a existência e a extensão do tema musical. Desenvolvi a tese de que a inferioridade musical do povo brasileiro em relação a muitos povos do primeiro mundo reside basicamente nesse fator: tema musical muito extenso nas músicas populares brasileiras.

Para todos os efeitos práticoso jazz não tem melodia, não tem tema musical. por isso ele tem o efeito exatamente oposto. O Jazz adormece, anestesia a mente, promove a indiferença. O nome desta música deriva do antigo testamento. A partir de 1. Reis temos a história do rei Acabe e sua esposa Jezabel. Jezabel era uma  mulher imoral e que induzia Israel à imoralidade. Na época da corrida do ouro nos EEUU surgiram, como isso ainda acontece atualmente nos garimpos brasileiros, bordéis. Quem não conhece, através dos filmes, esses prédios característicos de dois andares com os bares no térreo e os quartos no primeiro andar. Costumava-se dizer então: ”Let’s make a bit of Jezebel music”, “vamos fazer um pouco de música Jezabel”. Ingeriam, obviamente, também bebidas alcoólicas. Porque esse tipo de música? Ora ela fazia os envolvidos a se esquecerem dos seus vínculos com a moralidade, eventuais votos com a esposa e sociedade para se disporem a aventurarem-se com uma prostituta. (Do Rock, dito cristão, não é necessário escrever muito, porque ele inexiste da mesma forma como não é possível promover prostituição evangélica edificante. A palavra completa desta música é: “Rock and Roll over”, balance e role para a outra posição, descrição do ato sexual. Não tem nada a ver com pedra, como muitos querem crer. A música é estimuladora sexual, isto praticamente todos os roqueiros confirmam. Não vamos nós querer santificar o que é impuro. Quem assim mesmo insiste em escutar ou executar tal música tem os seus motivos na carne e não no espírito e promove os objetivos do inimigo da cruz de Cristo).

A não ocupação da mente com a ausência de uma melodia na música pode alterar o estado da consciência. O estado é chamado de Alfa. É um estado de atividade cerebral reduzido. Entre o acordado com plena função dos sentidos e o estado de adormecido. É um estado de passividade mental. A mente neste estado não é mais capaz de avaliar a veracidade de uma informação. Tudo o que é ouvido nesse estado da consciência é aceito como verdade. É esse o estado que igualmente feiticeiros, médiuns, gurus e todos os outros espiritualistas desenvolvem para incorporar espíritos. Existem muitos outros caminhos e métodos mais para se chegar ao mesmo estado da mente. Vamos falar mais tarde de outras técnicas na música que também levam ao mesmo estado da mente.   A palavra de Deus nos instrui no exatamente oposto quando nos exorta a vigiar.

 

c- A harmonia se relaciona com os nossos sentimentos. Quando se toca duas notas musicais distintas criamos uma interação entre duas freqüências distintas. Essa interação produz uma terceira freqüência, também chamada de batimentos. Muitos, quando afinam os seus instrumentos, prestam atenção para essa terceira freqüência para determinar a afinação do instrumento. Quando os batimentos são lentos tem-se a percepção de ondas. São mais rápidas quanto mais desafinadas. Não tem ondas quando duas notas estão perfeitamente afinadas entre si.  A freqüência desse terceiro som nos fornece a percepção de harmonia. Quanto maior a freqüência desse terceiro som, maior a nossa percepção que isso soa mais harmônico. Quanto menor a freqüência, menos harmônico. Tocando-se o Dó central e o Dó uma oitava acima simultaneamente tem-se uma terceira freqüência igual ao Dó central, ou seja, 262 ciclos por segundo. Dó central e Sol tocados simultaneamente produzem uma terceira freqüência de  131 ciclos por segundo, ou seja, Dó a uma oitava abaixo do Dó central. Dó central e Fá tocados simultaneamente produzem 87 ciclos por segundo, ou seja, um Fá duas oitavas abaixo do Fá tocado. Dó central e Ré bemol produzem um som com 17,4 ciclos por segundo.

Na Inglaterra fez-se uma experiência com sons em torno de 20 ciclos por segundo. O nosso ouvido não é capaz de perceber freqüências tão baixas. O corpo, a julgar pela experiência inglesa, sim. Eles emitiram um som nesta freqüência com grande potência e em pouco tempo as pessoas num raio de quilômetros sentiram fortes dores de barriga. Eles julgaram que, mantendo este som por algumas horas teria levado à morte a maioria das pessoas da redondeza. Não é, portanto, tão fora da realidade se o ditado popular mantém que certa música, quando muito dissonante (aquela que usa nos seus acordes muito o intervalo Dó a Ré ou Dó a Ré bemol) dá dor de barriga.

O estado de consciência alterado (estado de incorporação de espíritos), acima mencionado é também tangível, a julgar por uma reportagem recente na TV a respeito de espiritualistas muçulmanos, quando acordes muito cheios (com muita repetição de notas, são tocados/ arpejados com muita velocidade e permanecendo prolongadamente no mesmo acorde. Contribui ainda mais se os sons forem metálicos (harmônicos com freqüência alta).

Cada intervalo tem uma característica própria. Desta forma expressou-se através de adjetivos a percepção que se tem dos mesmos. A segunda (Dó e Ré executados juntos) soa brilhante/ estridente/ irritante/arrogante. A terça (Dó e Mi) soa aconchegante/ familiar (a música sertaneja é predominantemente baseada nesse intervalo). A quarta (Dó e Fá) soa oca/ boba. A quinta (Dó e Sol) tem um som demoníaco. A sexta soa angelical e a oitava, celestial. O conteúdo do texto da letra da música deve ser “sublinhado” com o acorde apropriado.

O nosso subconsciente é programado para dar razão preferencialmente ao subjetivo, i.é, se o texto falar do amor de Deus (o texto se relaciona com a nossa mente) mas a harmonia (ou ritmo) transmitir uma mensagem contrária através da dissonância (a agitação), o teor do texto é rejeitado. Cria-se uma aversão pelo amor de Deus sem saber do real motivo. O coração se endurece contra o amor Deus, ao apelo do Espírito Santo e a pessoa geralmente não sabe porque motivo cessou o interesse por Deus em sua vida.

 

d- O ritmo é um agrupamento de um número fixo de bases de tempo através de uma música ou parte dela que compõe um compasso e com uma hierarquia de intensidade preestabelecida. Os diferentes agrupamentos são designados por uma relação matemática ou pelo nome do ritmo (Valsa, Bossa-Nova, Marcha, Samba, etc.). O rompimento temporário dessa regra chama-se síncope.

O ritmo exerce o seu efeito basicamente sobre o corpo. A dança obedece ao ritmo. Assim, por exemplo,  o compasso 4/4 da marcha, nos instiga a batalhar, 6/8 da valsa para o movimento gracioso do corpo, o samba para a sensualidade e o rock para a irreverência, imoralidade e rebelião.

O ritmo é basicamente executado pelo acompanhamento. Um ritmo violento com um acompanhamento repetitivo e mais uma intensidade de som elevado, leva ao mesmo estado de transe da passividade mental através de mais dois caminhos. Aliás esses são os mesmos estados que os gurus indianos obtém através da meditação transcendental. Um se dá devido a repetição monótona dos sons e acordes do acompanhamento, o outro se dá devido à excitação que libera adrenalina no sangue. A adrenalina é uma droga natural que nos vitaliza para enfrentarmos situações muito difíceis . Quando não consumida, pela ausência de uma batalha, a adrenalina se transforma nas nossas veias em uma droga semelhante ao LSD. É, portanto, possível nós nos drogarmos com o simples ouvir de música com elevado nível de ruído e forte acompanhamento de estampido. Um irmão me respondeu a esse respeito que ele e a maioria dos jovens gostam desta música assim, ao que eu respondi: É óbvio. Ninguém faz sexo ou consome drogas por não gostar. Deus reprime severamente a Israel, através do profeta Amós (5,23 ), por causa da música estridente, estampido: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos”. Os líderes estão certos quando ensinam a manter um estilo de vida santificado. Pela música, no entanto, satanás achou uma porta escancarada e sem sentinelas na vida de muitos irmãos e irmãs, se drogando e masturbando por baixo do pano ( alguns chegam até inclusive ao orgasmo). Se a Bíblia já nos exorta a não nos embriagarmos com vinho, quanto menos ainda de drogarmos. Muitos dirão: que bobagem! Felizmente ou infelizmente isso são fatos bem comprovados. Pode-se discordar pelo gosto ou pela indisposição de não se santificar mas não baseado nos fatos.

Interessante neste contexto é comparar os dois trajetos da arca de aliança até a cidade de Davi. a - 1. Crôn 13,8 e 10. b - 1. Crôn. 15,2 e 12 e 13 e 16 e 19 a 24 e 28. O problema central no caso era que em a não eram os levitas que carregaram a arca como Deus tinha ordenado a Moisés mas outros pontos chamam atenção também. Em b o mestre de música é identificado como um entendido no assunto e nas duas relações de instrumentos musicais não se encontram os tamborins. É verdade que alguns Salmos exortam a louvar a Deus com tamborins mas isso nos átrios, ao ar livre, e não no templo.

 

 

e- O texto é a formalização declarada da mensagem. Música é também dramatização. A melodia, a harmonia e o ritmo deveriam reforçar o conteúdo da mensagem expressa no texto. Qualquer rotina aleatória de acompanhamento, portanto, é imprópria. Às vezes os tambores precisam trovejar, outras vezes devem-se calar. A nossa mente é “configurada” de tal forma que o subjetivo domina sobre o objetivo, i. é, o texto da música é o objetivo, a harmonia, acompanhamento, e em menor escala, a melodia, são o subjetivo. Desta forma, se o texto fala do amor de Deus e um dos elementos subjetivos, através da sua expressão, ou seja, dissonância, melodia sem nexo, ritmo rebelde, contrariar o texto, criamos em nós uma indiferença e até aversão pelo amor de Deus. Há um literal endurecimento do coração. É quase inútil, sob efeito desta música, fazer um apelo para consagração ou conversão. Creio que reside no estilo de música atual o fim das grandes concentrações evangelísticas. Se ainda há concentrações, elas estão mais marcadas pelo sobrenatural do que pelo arrependimento.

O texto em si é outro fator m crise hoje. As aberrações são freqüentemente tão gritantes que a gente fica constrangido em permanecer no local. Se chama a isso de Louvor. Me pergunto: Louvor a quem? Se Jesus é qualificado, na letra da música, como mártir da paz, certamente louvamos a satanás. O “santificado seja o Teu nome”, do Pai nosso, é elemento ausente na maioria dos atuais louvores. O “aleluia” , que significa louvado seja o Senhor, se reduziu a um advérbio de exclamação assim como o é “meu Deus!” e “nossa! (Senhora)”.  Já que há tanta preocupação em ter a bíblia na linguagem de hoje, porque também não traduzir o aleluia para que todos possam se alegrar e entender claramente o seu significado.

O efeito social da música não passa desapercebido. Basta um grupo etário se encontrar alegremente e a música, geralmente, também se faz presente. Ela faz lembrar valores e tempos te apreço comuns. Ela une o grupo. Uma das crises marcantes da nossa era é o rompimento das classes etárias. A música é, a meu ver, um dos fatores mais responsáveis por essa divisão. Infelizmente, nem nas igrejas, tem dado muito caso para esse fator. Muitos líderes assumiram postura idêntica aos comentaristas seculares: lamentam tanta violência no mundo mas não tomam posição contra os filmes de violência no cinema e na televisão = lamentam a pouca compreensão entre as faixas etárias mas se opõem em construir pontes através da música entre as classes etárias. Parece até haver uma hostilidade não declarada nesta área. Uma maldição de rebeldia e revolução encobertas.

Mantidos os devidos parâmetros acima expostos, deve haver uma redução natural de oposição contra inovações. Essa atmosfera fraterna proporcionaria uma filtragem mais rápida de novas obras e a retenção das dignas de imortalização e ainda providenciaria uma fonte de nutrição agradável das verdades bíblicas durante o ressoar e cantar das músicas nos nossos corações durante a semana toda.

Devo também ainda mencionar que o patrimônio musical deve somente ser aumentado e nunca substituído. As conseqüências são nefastas caso haja a simples substituição. O povo em geral e o povo de Deus em especial, precisa de uma fundação sólida, uma âncora, em um mundo tão conturbado pela relativização de praticamente tudo.

            John Wimber, fundador do Vineyard Fellowship (berço d 3ª onda do Espírito Santo), re-introduziu o ofício de profetas, como em Israel no Antigo Testamento. Um destes profetas, James Ryle, afirmou o seguinte: “ O Senhor tem-me designado como um observante e me mostrado algumas coisas as quais eu quero mostrar e delas falar para vocês... O Senhor falou a mim e disse: “O que vocês viram nos  Beattles - o dom e o som que eles tinham - era de mim. Isso não pertencia  a eles. Era a minha intenção de provocar um avivamento mundial através  da música a qual induziria o mover do meu Espírito para trazer homens e mulheres para Cristo... Agora, Eu estou olhando por aqueles sobre os quais eu posso colocar esta unção de novo. Tão certamente como eu colocarei essa benção sobre eles, eles entrarão em cena com um som distinto e que revolverá os corações de homens e mulheres e cativará os seus corações.””( De uma cassete da Harvest Conference em Denver Colorado, nov. 1990, Foundation, jan./fev. 91). Será que Deus fez uma tentativa com as Mamonas Assassínas? Da pra notar que o estilo e conteúdo da música é dirigido, tem um objetivo e um interessado na jogada. Também o tipo de avivamento que está sendo promovido não é mistério!

 Quem é o  interessado deste jogo é obviamente Satanás. E você? O jogo de quem você promove?

 

Referência bibligráfica:

Livro “Morte de um Guru”  de M. Maharaj

Apostila sobre “A  Nova Era à Luz da Bíblia” de P. Unruh

Livro “Luftsäulen und Raumakustik” de G. Janzen

Revista “Foundation”

Fita cassete “Was Bald Geschehen Wird” de Langhammer

Livro “Os Perigos Traiçoeiros do Rock” de Dan D. Johnson

Livro “Rock and The Church”de Bob Larson

 

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