Rodrigo Silva Barros

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A Controversa Predestinação Calvinista

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Prefácio

 

Existem contradições doutrinárias professadas por denominações cristãs tão sutis que estas perduram por séculos. Existem contradições doutrinárias tão atraentes que lamentamos profundamente que estas não sejam verdadeiras. A doutrina calvinista de eleição dos santos seria providencial hoje, se estivesse correta. Em tempos de pobreza teológica, onde o homem está sendo deidificado e falsos apóstolos estão se levantando para tomar a glória de Cristo, o verdadeiro Cabeça da Igreja, para eles próprios, a doutrina da predestinação calvinista seria providencial.

 

Entretanto eu creio que Deus não pode ser exaltado através de um erro. A luz das Escrituras Sagradas podemos enxergar a verdade que o Espírito nos ensina; e ver como o Senhor Jesus de fato controla a História, sem sombra de injustiça. Desejo sinceramente, que o Pai bendito me guie nesse estudo com tenras misericórdias, em nome do Senhor Jesus, para que no fim eu e o amado leitor possamos exaltá-Lo e glorificá-Lo com o entendimento necessário para o culto racional. Que Deus, me ajude e me ensine pacientemente e misericordiosamente. Amém.

 

(ACF Rom 12:1) “ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

 

 

Definições

 

Acredito ser necessário definir termos para que o amado leitor possa ter um melhor entendimento desse estudo. Portanto, exponho os seguintes conceitos:

 

Heresia: Dados uma ou mais proposições bíblicas, uma heresia é uma proposição que age de forma distinta ou equânime sobre cada proposição bíblica, negando, incrementando ou decrementando suas verdades espirituais.

 

Doutrina bíblica: Toda doutrina bíblica, ou proposição bíblica é verdadeira, eterna, infalível, inspirada pelo Espírito Santo e sua fonte é exclusivamente as Escrituras Sagradas.

 

Evento: É a alteração, sempre permitida por Deus, de estado de um objeto, seja concreto, seja abstrato, seja ser ou coisa inanimada, em função do tempo.

 

Vontade divina permissiva: (Definição incompleta, mas suficiente) São os eventos que essencialmente Deus não pactua, mas os autoriza de fato, a fim de que tudo converja para Sua glória.

 

Vontade divina ativa: São os eventos que Deus dirige de forma ativa e pessoal e expressam essencialmente o que Deus quer, para que Sua glória seja exaltada.

 

Vontade divina: É a combinação entre a vontade divina permissiva e ativa.

 

Escrituras Sagradas: (É necessário defini-la, devido as múltiplas traduções) É Cristocêntrica, perfeita, infalível, in-errante, totalmente preservada, tendo como Autor o Espírito Santo. Ela é o Textus Receptus de Estienne 1550 e o Texto Massorético, traduzidos em qualquer língua; desde que rigorosamente, pelo método de equivalência formal. Eu recomendo ao amado leitor a Bíblia Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil; ela, e somente ela, é a fiel representante da Palavra de Deus em língua portuguesa, nos tempos atuais.

 

Peço que o amado leitor entenda que o nosso Adversário sempre tentou destruir a Palavra de Deus de uma forma ou de outra. E ele não mudou hoje, em sua maligna aspiração. É importante que o amado leitor entenda que nem todas as traduções disponíveis no mercado são a expressão de temor a Deus, por parte daqueles que deveriam usar sua erudição, dada por Deus, para dar a nós a Palavra Viva incorrupta. Alguns destes homens se deixaram enganar por suas vaidades e estão deliberadamente corrompendo a Bíblia. Recomendo ao amado leitor que leia o livro de John William BurgonThe Revision Revised”, para elucidação deste assunto.

 

Uma vez, porém, tendo a confiança de que temos em mãos a Palavra de Deus, podemos proceder o estudo sem fazer uso do conhecimento das línguas originais da Bíblia. Se o amado leitor tem o desejo de conhecê-las, faz muito bem. Entretanto, acredito que o Espírito Santo nos ensina, usando Suas Escrituras, seja qual for a língua destinatária (At 2:5-11). Desde que a Bíblia que temos, seja fiel ao que seus autores humanos de fato escreveram. E confio em Deus que Ele provê isso, de uma forma ou de outra, segundo Sua eterna fidelidade.

 

(ACF 1Pe 1:25) “Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.”

 

Introdução

 

Em minha opinião pessoal, a doutrina calvinista da Eleição é dificílima de ser refutada. Acredito que isso se dê pelo fato de da abundância de versos em que ela se apóia; versos que, porém, são incompreendidos. Seu zelo, no entanto, pela soberania de Deus de fato representa uma inspiração, pelo qual devo ter todo o cuidado de preservar neste estudo. Claro, reconhecendo humildemente que Deus não pode ser exaltado pela injustiça.

 

O princípio desta tese, ocorreu quando eu analisei as posições de duas denominações a respeito da predestinação: a posição presbiteriana e a posição batista, a saber:

 

1.     DEPRAVAÇÃO TOTAL OU INABILIDADE TOTAL: O homem não pode fazer nada pela sua salvação espiritual; inclusive usar de livre-arbítrio para se decidir por Cristo. Isso se dá porque o homem teria necessidade de discernir as coisas espirituais, para se decidir por Cristo. Como o homem é carnal, isto é impossível.

2.     ELEIÇÃO INCONDICIONAL: Os homens são eleitos por Deus desde a eternidade, para serem salvos. Deus, entretanto, elege este grupo entre todos os homens de todas as épocas, sem considerar o mérito de cada um. A eleição de Deus é imerecida do ponto de vista do homem e um ato de misericórdia para o eleito, revelando a total soberania do Criador. Mas é um ato de julgamento e manifestação da santidade de Deus para o preterido.

3.     REDENÇÃO PARTICULAR OU EXPIAÇÃO LIMITADA:  Cristo esvaziou-Se de Sua glória divina e eterna, viveu em carne entre os homens, morreu e ressuscitou por amor destes eleitos de todas as épocas.  Jesus portanto, sacrificou-Se tão somente por eles.

4.     CHAMADA EFICAZ DO ESPÍRITO OU GRAÇA IRRESISTÍVEL: Uma vez que os eleitos são confirmados por Deus, Ele os salva pela graça em Jesus; isso através de uma fé previamente incutida por Deus no coração deles. Uma vez cumprido o tempo da salvação de cada eleito, cada um recebe Jesus na qualidade de seu único Senhor e suficiente Salvador, mediante pregação evangelística inspirada pelo Espírito (que desperta essa fé). E assim são salvos e redimidos, seguindo o plano eterno de Deus traçado desde a eternidade.

5.     PERSEVERANÇA DOS SANTOS OU SEGURANÇA DOS CRENTES: Uma vez salvos, sempre salvos. O eleito não pode perder a salvação, porque Deus o sustenta de tal maneira que se ele cair, não decai da graça totalmente e nem finalmente.  A santidade operante do Espírito Santo sobre o eleito é tão eficaz que ele permanece até o fim.

(Esses foram os cincos pontos calvinistas contra o arminianismo, – que não tratarei neste estudo – no concílio de Dort, Holanda.) É preciso notar que esses cinco pontos, levam a uma conclusão natural de que Deus ama os salvos e não-salvos  de forma distinta. Se Deus usa a uns como vasos de misericórdia a outros, Deus usa como vasos de ira. Ou seja, Deus está despejando ira aos ímpios que Ele preteriu e misericórdia aos que escolheu; dois sentimentos distintos, entre uma escolha e uma rejeição; e os calvinistas usam Rm 9:13 como comprovação disso. Deus estaria, portanto, amando as pessoas de forma distinta.

Após algumas leituras eu me pus a ler a posição batista em relação a isso (na qual eu tenho especial interesse), pois eu professo a fé dessa igreja. A doutrina batista para a eleição é muito interessante, pois chega a um meio termo entre o calvinismo e o arminianismo:

1.     Todos são eleitos;

2.     Deus opera a salvação em e através de Cristo pelo favor imerecido de Sua graça;

3.     Deus é pré-ciente;

4.     De acordo com o livre-arbítrio, desde a eternidade, Deus elege, chama, predestina, justifica e glorifica.

Nesse momento, foi possível para mim tirar algumas conclusões. E eu, no temor do Senhor, apresentar-lhes-ei a você, amado leitor. Que o Senhor Deus me ajude, em nome de Jesus.

Contradições

 

A princípio julguei serem incorretas duas posições de ambas denominações, a saber:

 

1.     Como existe a eleição predestinada e expiação limitada, logo Deus ama as pessoas de forma distinta;

2.     “Todos são eleitos”.

 

Nem todos são eleitos e, tampouco Deus ama as pessoas de forma distinta. Para demonstrar primeiramente o problema do conjunto de eleitos de todas as épocas, basta atentarmos para as Escrituras no seu trecho mais famoso:

 

(ACF Jo 3:16) Porque Deus amou O MUNDO de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que TODO AQUELE QUE NELE CRÊ não pereça, mas tenha a vida eterna.

 

Ou ainda:

 

(ACF 1Jo 2:2) E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.

 

(ACF Rm 11:7) Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos.

 

Obviamente há dois conjuntos de pessoas, que Deus trata nesta passagem: o mundo (todos os seres humanos) e aquele que crê em Cristo, o Filho Unigênito. E ainda a passagem de Romanos, entre outras existentes, reforça a idéia que os eleitos são, na verdade, sinônimos de crentes em Cristo; e não são referidos como pertencentes ao mundo (exceto os que serão ainda salvos). Isso contraria a idéia de que todos são eleitos. Entretanto, esse equívoco não é, nem de longe, sério; apesar de que compreender essa questão é fundamental para o nosso estudo. O problema derradeiro, porém, está exposto logo em seguida.

 

A idéia calvinista de que Deus ama as pessoas de forma distinta é rechaçada neste versículo, pois Deus amou o mundo; e  o “mundo” inclui os não-salvos, que estão no Maligno (1Jo 5:19). O amor de Deus para com o homem é mostrada claramente nas Escrituras como um amor incondicional. Podemos observar ao lê-las que Deus ama o homem pelo que ele é hoje, e não pela benção predestinada que ele será amanhã. Deus ama o homem, mesmo caído. E, se Deus não faz acepção de pessoas, ele não pode amar distintamente; isso se aplica aos ímpios e aos salvos.

 

(ACF Rm 5:6-8) Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

 

Note que acima a expressão “morreu a seu tempo pelos ímpios”, está em conformidade com Jo 3:16 e 1Jo 2:2.

 

(ACF Ez 18:23,32) Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor Deus; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? ... Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor Deus; convertei-vos, pois, e vivei.

 

Certamente a palavra morte acima, significa a morte espiritual. Pois os justos não temem morrer, porque sua morte é o príncipio da vida eterna; e, ainda, o Senhor deseja tê-los por perto, no céu. Mas a morte do ímpio é, porém, o príncipio da Segunda Morte. A vida eterna dos justos, entretanto, é retratada dessa forma: (ACF Sl 116:15) “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos.” E ainda, se Deus não tem prazer nessa morte do ímpio Ele não pode, contra Si mesmo, escolher os pecadores para serem objetos de ira eterna, de uma forma livre. Portanto se o pecador morre espiritualmente, é porque ele foi provocativamente rebelde e não quis converter-se; isso está evidenciado no texto que mostrei logo acima.

 

Abaixo, eu exponho o interesse de Deus pela salvação de todos os perdidos:

 

(ACF 1Tm 2:1-4) Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

 

(ACF Rm 2:11) Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

 

(ACF Dt 10:17) Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas;

Dizer que Deus ama os salvos e não salvos de forma distinta, abre um precedente terrível: permite que se denote a  imperfeição da Pessoa de Deus; o que é absolutamente impossível. Veja, amado leitor, o Senhor Jesus ordena que amemos nossos inimigos (Mt 5:44). Sabemos, entretanto, que muitos daqueles que perseguem os filhos de Deus perecerão para sempre (Jo 8:13-24). Se Deus ordena que amemos os nossos inimigos, e isso independente de saber quem deles serão os salvos, é porque o próprio Senhor Deus assim age (Mt 5:48). Admitir que Deus ama as pessoas distintamente, seria o mesmo admitir que Deus está sendo hipócrita, pois Ele mesmo não ama perfeitamente. Isso é de fato, uma heresia maligna.

Considerando também que se Deus é capaz de amar as pessoas distintamente, é possível que Ele ame os salvos distintamente, pois, no fim, somos todos indignos do amor de Cristo. Essas são as implicações terríveis da doutrina. Portanto, concluo que Deus não ama as pessoas de forma distinta, pois Ele tem interesse na salvação de todos os ímpios.


O Plano de Deus na Salvação do Homem

 

O amado leitor poderá perceber que agora, a neblina começa a se dissipar muito lentamente. Uma vez mostrado que Deus não pode rejeitar o homem de forma livre, pois isso contraria a Sua natureza – pois Ele ordena para que amemos sem acepção, até os que se perdem; porque Ele mesmo procede assim (At 9:1-6) – sabemos, entretanto, que ainda assim determinadas pessoas morrem e são condenadas eternamente (Hb 10:28-29 e Hb 12:25) . Apesar da santidade de Deus ser a causa do julgamento eterno, sabemos, entretanto, que não é Deus que rejeita livremente o homem.

Resta uma dúvida: se não é Deus que rejeita livremente o homem, quem na verdade procede a rejeição da salvação? Esta é uma lacuna que a doutrina calvinista deixa. E ela só pode ser explicada biblicamente de uma maneira: livre-arbítrio.

Oras, o livre-arbítrio é exposto como se segue:

(ACF Mat 23:37) Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes QUIS EU ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, E TU NÃO QUISESTE!

O amado leitor, estudando a Carta ao Romanos, poderá perceber a forma descritiva com o que Paulo expõe o plano de salvação de Deus para o homem. Resumidamente, a princípio, Deus chama a Abraão justificando-o pela fé. Isso foi o anúncio aos tempos antigos, do que Deus queria fazer conosco. O homem, nos tempos da ignorância, recebe a Lei para a manifestação do pecado, condenando-o. Entretanto, pela misericórdia, Deus manifesta Seu Filho Jesus que Se sacrifica, ressuscita e nos redime pela fé, fazendo a graça superabundar sobre o pecado.

O amado leitor sabe que esta Lei é a Lei Judaica e foi transmitida por Deus a Israel, por intermédio de Moisés. E, na própria Lei de Moisés, já havia a predição de que Israel seria uma nação rebelde (Dt 31:27) e uma promessa de cativeiro entre as nações da terra, como conseqüência (Dt 28:41). De fato, sabemos que isso ocorreu àquela nação como trata o profeta Jeremias. Entretanto a Bíblia diz que haveria uma outra rebelião futura a qual seria contra o Messias (Sl 118:22).

Observando, novamente a Romanos, podemos observar que a graça salvadora chegou até nós, os gentios, por esta rebeldia de Israel. No assassínio do Messias, o Senhor Deus, que O enviou, trouxe a nós uma outra Aliança com a ressurreição de Cristo; muito superior e diferente daquela que Deus havia proposto a Israel.

Entretanto, o amado leitor poderia argumentar o seguinte: “Deus endureceu o coração de Israel, para que este fosse sempre rebelde e, assim, Deus poderia trazer Jesus a nós.” Mas, retornando ao verso (Mt 23:37), vemos que não foi exatamente assim. A intenção original de Deus era fazer com que Israel participasse da salvação do homem; mas Israel não quis. É necessário que o leitor entenda que eu estou entrando num terreno onde a mente humana já se encontra limitada. É impossível que se impeça a vontade de Deus (Is 43:13); mas aparentemente, Deus permitiu que Israel interagisse com Ele. Assim os eventos ocorreram da forma como os conhecemos. Isto é a vontade divina permissiva. Deus permitiu que Israel fosse rebelde por vontade própria, mas Ele mesmo não queria, no Seu íntimo que fosse assim. Esta é a prova do livre-arbítrio, que Deus deu a Israel em sua história.

Continuando em Romanos, observamos que a vontade permissiva de Deus, também é a expressão da soberania de Deus; pois Paulo nos mostra que ainda que Israel O tenha rejeitado, no fim, a salvação chegou ao mundo inteiro, através dessa  rejeição. E um dia chegará ao próprio Israel, na Grande Tribulação, quando se cumprir o tempo aos gentios que Deus, em Sua soberania, determinou.

Outro exemplo que ilustra essa questão, é o próprio testemunho de Paulo. As Escrituras afirmam que é doloroso para o Senhor Jesus ver um servo Seu sofrer perseguição; pois Ele mesmo se sente perseguido. Entretanto, o Senhor Jesus permitiu que Saulo usasse de todo o seu ódio contra a igreja em Jerusalém. Isso denota permissão de livre-arbítrio sobre Saulo, quando ele quer usar o seu ódio; pois, para o Senhor, isso é muito doloroso e Ele jamais incitaria uma coisa dessas por Sua própria mão. No entanto, sabemos que essas coisas são incitadas pelo Inimigo do Cordeiro; mesmo sob a permissão Dele. Podemos no entanto, louvar a soberania de Cristo, pois graças a essa dolorosa permissão o Evangelho se espalhou por todo o Império Romano. Esta é a prova da soberania de Deus mesmo sob vontade permissiva; pois esta enaltece a glória divina, no fim.

Portanto, amado leitor, a limitação da minha mente reside em uma questão: como Deus equilibra o que quer, com eventos que realmente acontecem? Eu, na minha limitação humana, não consigo compreender porque a vontade permissiva de Deus compõe de fato a vontade de Deus. Mas reconheço humildemente que ela existe e não contraria a Deus; entretanto, eu louvo a Deus, pois até ela faz com que as coisas converjam para a Sua glória.

Provamos que existe livre-arbítrio, que maneira alguma afeta a soberania de Deus. Muito pelo contrário; pois Deus dirige os eventos de tal forma, que até as decisões dos homens servem para os Seus desígnios. E desta conclusão inferimos que há entre o livre-arbítrio e os eventos dirigidos uma intrincada relação que, no fim, expressa a vontade de Deus. Provada a existência do livre-arbítrio inferimos que a graça é resistível (Hb 10:28-29 e Hb 12:25; Mt 25:32-46). Essa resistência, também serve aos desígnios de Deus.


Os Eventos e os Escolhidos

 

Uma vez um matemático disse que se quisermos compreender o infinito, devemos estudar os casos primários e multiplicá-los; até que fiquem tão grandes, que, em seus padrões, seja possível extrair uma idéia geral. Isso é chamado de recorrência. Claro que isso não se aplica a Deus; a Ele, somente Sua Palavra. Entretanto, vamos tomar emprestado esse conceito (devido as nossas limitações mentais), e analisar um caso isolado para chegarmos a conclusão:

Como Paulo se converteu? Oras, sabemos que a conversão de Paulo era conhecida desde a eternidade. Sabemos que Deus não só conhecia os eventos, como também Ele mesmo os dirigiu.

Paulo se converteu através do próprio Senhor; para isso foi permitido a Saulo perseguir a igreja; para isso, foi permitido a Saulo ser fariseu; para isso foi permitida a existência dos fariseus; para isso Deus dirigiu ativamente a conservação dos judeus desde o Cativeiro; para isso Deus permitiu a rebeldia de Israel; para isso Deus dirigiu ativamente a existência de Israel; para isso Deus permitiu a existência dos Patriarcas, e daí até Adão. Em outras palavras amado leitor, Deus dirigiu os eventos de tal forma que acabaram por culminar na salvação de Paulo. Entretanto, se você pensar um pouco mais, você verá que Deus faz isso com todos os salvos.

Se você deixar sua mente fluir e pensar em todos quantos você conhece; ou, em todos os exemplos que você se lembra, bíblicos ou pessoais; você se lembrará de que todos eles foram cercados por eventos combinados. E, se você for além e tentar visualizar os salvos de todas as eras – considerando sempre a direção permissiva e ativa de Deus para os eventos – você verá que, no fim, eles constituem um conjunto definido de pessoas. Portanto, os eventos que ocorreram, ocorrem e ocorrerão, de fato são a expressão do versículo:

(ACF Rm 8:28) E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Sabendo que todos os eventos são a expressão da soberania de Deus e que Deus é atemporal, então podemos chegar a incompreensível – humanamente falando – conclusão de que todos os eventos já foram permitidos por Deus desde a eternidade; de forma simultânea e instantânea. Lembro ao amado leitor, que a vontade divina é a combinação entre a Sua vontade permissiva e ativa. E, portanto, Deus permite a interação através do livre-arbítrio humano, determinando também a sua intensidade. Esses eventos de causas e efeitos, uma vez definidos e autorizados desde a eternidade, resultam necessariamente neste conjunto fechado de salvos; conjunto este pré-conhecido e pré-dirigido. Estes são os eleitos.

(ACF 2Pe 3:9) O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

E porque Deus tem soberania sobre os eleitos? Porque embora possuímos o livre-arbítrio e Deus permite a nossa interação com Ele, quem escolhe os eventos pelos quais passamos, é Ele. Até mesmo a medida das conseqüências de nossos atos livres, são determinados por Deus, desde a eternidade. Até mesmo a intensidade de nossas interações com a vontade permissiva de Deus é limitada por Ele. Portanto, se somos salvos por decisão, o somos porque Deus moveu o mundo e a História ao nosso redor. E se a nossa salvação é fruto da nossa escolha por Cristo, a nossa decisão é fruto de uma série de escolhas de Cristo; que, por sua vez, estão relacionadas as nossas vidas. Todas essas decisões divinas foram tomadas no contexto da eternidade. Cristo tem autoridade e até poderia fazer a História totalmente diferente; mas por algum motivo desconhecido Ele, direcionou os eventos tais como os conhecemos. E nós fomos salvos por isso.

Isso é muito diferente da doutrina calvinista que afirma que Deus rejeitou uns e aceitou outros livremente ou sem causa aparente. E, é de fato sem causa, porque somos todos igualmente injustos; e todos carecemos igualmente da glória de Deus e pereceremos sem ela. Afirmo que, na verdade, Deus selecionou esses eventos por um motivo que não podemos compreender. E, por conseqüência, eles tornaram tais rejeições e aceitações humanas possíveis. Isso resulta num conjunto definido de salvos.

Isso, não quer dizer que Deus não tenta livrar o perdido. Muito pelo contrário, Ele tenta! Jezabel é uma prova (Ap 2:20-23). Esta mulher era uma profetiza endemoniada, que corrompeu alguns daquela igreja do Senhor. Entretanto, o Senhor permitiu em Sua soberania, que ela tivesse um tempo de “paz” para se arrepender; este tempo expirou, conforme o texto. Entretanto, não está dito se ela converteu-se ou não, mas isso é uma prova que Deus trabalha com o perdido; até que ele O rejeite definitivamente; isso é ilustrado no texto abaixo. E esta rejeição é conhecida e autorizada desde a eternidade, sob a soberania de Deus.

(ACF Mt 7:6) Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.

Entretanto, se um homem não se arrepende, outros porém se arrependem. Todos estão, em comum, sob a eterna direção de Deus. E isso também é diferente do arminianismo, pois concluímos contra eles, que Deus não é só pré-ciente como  também trabalha ativamente no mundo; controlando, selecionando e permitindo os eventos sobre o homem. Porém, é necessário lembrar que estes eventos já foram determinados desde a eternidade, porque Deus é eterno e atemporal.


A Questão do Livre-Arbítrio

 

Conseguimos, até aqui, amado leitor chegar as seguintes conclusões:

    Se Deus ama o pecador de forma perfeita, Ele não pode rejeitá-lo de uma forma livre. Ele possui um especial interesse na salvação do pecador. O julgamento eterno ocorre, porém, porque o pecador decide se afastar de Cristo; e a morte física deste, o põe em uma separação eterna da santidade e da presença de Deus, condenando-o ao inferno.

    Deus é atemporal e eterno; para Deus, não há percepção de tempo linear, semelhante ao que temos – ainda que Ele perceba o nosso passado, perdoando ou cobrando por ele, conforme o caso; ou perceba o nosso futuro – Portanto, existe de fato uma predestinação. Pois os eventos são definidos e autorizados eternamente por Ele. Nós tomamos nossas decisões sob contextos que o Senhor já definiu; e as conseqüências de nossos atos, tanto quanto a medida dessas conseqüências, estão incluídas nas decisões de Deus.

    Os eventos, como provamos, são fruto da vontade tanto ativa quanto permissiva de Deus. E a vontade permissiva pressupõe a existência de interações que provamos, no caso do homem, ser o livre-arbítrio. E, mesmo sendo permissiva, esta vontade conduz a glorificação de Seu Nome.

Certamente provada a existência do livre-arbítrio e sua relação com a vontade soberana de Deus, conseguimos dissipar a neblina de uma forma mais eficiente. Entretanto, resta uma pergunta: o livre-arbítrio está na essência do homem? O homem de fato tem condições de decidir-se por Cristo, mesmo sob condições adversas? Esta é uma pergunta que respondo com ousadia: Sim!

Entretanto, amado leitor, eu quero que você observe como é bizarro o comportamento do livre-arbítrio humano. Certamente é um de seus mais controversos comportamentos! As pessoas usam de forma muito estranha o seu livre-arbítrio e isso certamente se deve a cegueira espiritual que estão sofrendo.

Para ilustrar melhor, eu gostaria que o amado leitor recorresse as Escrituras Sagradas no texto de Mc 5:1-17. Observe que aquele homem possuía mais de dois mil demônios; ele (verso 6), mesmo neste estado, correu até Cristo quando O viu, e O adorou em seguida. As pessoas que testificaram a libertação daquele homem, ao invés de louvarem a Cristo, pediram que Ele fosse embora. Em Lc 7:36-48, o fariseu com o conhecimento da Lei, tinha condições de reconhecer a Cristo como seu Salvador pessoal; mas a prostituta que não tinha tal conhecimento rendeu-se aos pés do Senhor arrependida de seus pecados. Quando estudamos Escatologia pré-milenista, ao qual recomendo ao amado leitor, aprendemos que muitos homens na Grande Tribulação torcem a língua de dor pelos flagelos que Deus lança a fim de fazer-lhes abrir o coração. Mas ao invés de pedirem perdão a Deus, eles preferem adorar a Besta; e mesmo sendo testemunhas da manifestação do Cordeiro, preferem blasfemar contra Deus.

Este comportamento bizarro ocorre, porque o homem tem de fato uma natureza depravada. Tenho certeza de que o amado leitor tem ou conhece experiência nada trivial de conversão. E muitos que deveriam receber, de forma mais natural, não recebem a Cristo e outros que são os mais improváveis acabam recebendo-O. O inverso ocorre também; só Deus conhece e esquadrinha os corações dos homens e sabe porque eles usam o livre-arbítrio tão mal.

Esse comportamento bizarro é a prova física de que nenhum homem é predestinado por Deus à salvação. Entretanto, a prova bíblica está expressa como se segue: se o homem necessita de uma centelha de fé previamente incutida por Deus no coração dele – para que quando se cumprir o tempo o Espírito Santo use esta fé para despertá-lo – então o homem não pode ser essencialmente mal. Porque se existe fé divina incutida no coração de algumas pessoas – e sabemos que a fé gera bons frutos (Tg 2:18) – poderíamos notar nelas, um comportamento diferenciado e uniforme.

Agora, como explicar que um homem que possuía dois mil demônios, poderia ter alguma fé divina incutida? – porque ele  adorou Jesus quando O viu – E, se Deus o predestinou livremente (pois ele foi salvo), como Ele pôde deixar que o dom da fé que estava nesse homem pudesse conviver com a presença de dois mil demônios? E sabendo que o dom da fé vem com a presença do Espírito Santo (1Co 12:9-13), como Deus deu este dom a ele sem dar juntamente a Pessoa do Espírito Santo?

E se de fato existe uma centelha de fé divina no coração do homem predestinado, – e por isso a natureza deste homem não poderia ser de todo ruim – como explicar:

(ACF Rm 3:10-12) Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. NÃO HÁ QUEM FAÇA O BEM, não há NEM UM SÓ.

Oras,a fé divina gera frutos, não importa se ela é uma centelha:

(ACF Lc 17:6) E disse o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria.

Existe, no entanto, uma outra implicação para esta doutrina; se Deus incute a fé em pessoas predestinadas, e a justificação é pela fé, então porque elas deveriam invocar ao Senhor? Portanto, amado leitor, eu posso asseverar com confiança de que uma heresia contrariando uma verdade bíblica contraria todas as demais, pois a Palavra de Deus é Una.

Ainda, há uma dificuldade no próprio texto que os calvinistas usam como base: (ACF Ef 2:7-9) “Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;”

Oras, dizem os calvinistas, baseados no texto em itálico, que o dom que vem de Deus é a fé. Mas olhando para os versículos próximos ao trecho em itálico, qual é o tema principal? A graça. De onde, portanto, vem a nossa salvação? Não das nossas obras, mas pela graça que é proveniente de Deus. Isso dá sentido ao texto posterior ao trecho em itálico, que diz: “Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Se invertermos o sentido, dizendo que o dom ao qual Paulo se refere é a fé, este trecho posterior fica solto. Ou seja, teríamos um problema semântico, o que é impossível na Palavra de Deus in-errante.

Através do sinal de ponto-e-vírgula que há no trecho em itálico – o que denota uma explicação em seguida – Paulo diz claramente que recebemos o dom da salvação pela graça, por meio da nossa fé. E esse dom não vem das nossas obras, mas de Deus para não nos gloriarmos. Esse é o sentido completo do texto.


As Coisas Espirituais

 

Uma questão que surge ao tratarmos do problema do livre-arbítrio é: como é possível o homem, alienado de Deus, discernir as coisas espirituais, recebendo ao Senhor Jesus por decisão própria? Não estão certos os calvinistas ao afirmarem que isto é impossível?

Essa é uma pergunta muito interessante; e possui uma resposta simples: Todos os calvinistas e os demais crentes em Cristo, estão certos ao afirmarem que o homem alienado de Deus é incapaz de discernir por si mesmo as coisas espirituais. A questão que se põe é: o que é exatamente uma coisa espiritual? Elas existem certamente, e são segredos (revelados pela Palavra) relativos a obra redentora do Senhor Jesus. Coisas que, aliás, os próprios salvos de Corínto eram incapazes de compreender pela sua falta de espiritualidade. O mesmo se aplica a muitas igrejas de hoje, lamentavelmente. Mas, o caso que estamos tratando não se refere a isso.

Eu não vou, amado leitor, discorrer sobre este assunto porque está fora do nosso espoco; mas posso afirmar que a decisão por Jesus, ou a compreensão que Jesus é o Filho Unigênito do Deus bendito, não é nenhum mistério espiritual indiscernível. A revelação da Pessoa de Jesus Cristo ao homem caído, não está incluída entre os segredos da obra de Cristo (que são direcionados exclusivamente a nós).

Observando as Escrituras, vemos que Jesus nunca alardeava ao povo que Ele era o Filho do Homem encarnado; mas quando Ele era inquirido diretamente sobre o assunto, Ele jamais o negava. E os Seus algozes, que estavam alienados do amor de Deus, compreendiam isso muito bem:

(ACF Jo 9:41) “E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.”

(ACF Lc 22:66-71) “E logo que foi dia ajuntaram-se os anciãos do povo, e os principais dos sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concílio, e lhe perguntaram: És tu o Cristo? Dize-no-lo. Ele replicou: Se vo-lo disser, não o crereis; E também, se vos perguntar, não me respondereis, nem me soltareis. Desde agora o Filho do homem se assentará à direita do poder de Deus. E disseram todos: Logo, és tu o Filho de Deus? E ele lhes disse: Vós dizeis que eu sou. Então disseram: De que mais testemunho necessitamos? pois nós mesmos o ouvimos da sua boca.”

Note que Lucas fala no Livro dos Atos dos Apóstolos, que os homens do Sinédrio resistiam livremente ao Espírito Santo no testemunho de Estêvão. Isto denota livre-arbítrio e o seu mau uso, neste caso. A raiva que os algozes de Estêvam sentiam ao escutá-lo denota que eles discerniam muito bem a acusação de Deus que era dirigida a eles. Discerniam e livremente resistiam as acusações.

(ACF At 7:51-57) “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais. A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas; Vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes. E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele.”

Devemos nos lembrar que enquanto Homem encarnado algumas pessoas adoravam ao Senhor Jesus ainda que o Espírito Santo não tenha sido derramado sobre a terra. Ou seja, adoravam ao Senhor Jesus por uma fé própria; mesmo sem a influência efetiva do Espírito. Isso denota uma capacidade, mesmo limitada, de discernimento. Mas há discernimento o bastante para salvá-los. E o Senhor Jesus sendo Deus encorajava essa adoração:

(ACF Mt 15:25) “Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!”

(ACF Jo 9:38) “Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.”

Portanto, o homem caído pode sim discernir a Pessoa de Cristo, mediante uma pregação evangelística. E pode, porque a revelação da Pessoa de Cristo não é nenhum mistério espiritual indiscernível. Portanto, ao negar a Cristo, o homem é de fato indesculpável perante Deus.


O Endurecimento Dirigido e o Endurecimento Deliberado

 

Anteriormente, provamos que o livre-arbítrio existe; e mais: por resultar em uma contradição nas Escrituras, provamos que é impossível Deus selar alguém através de um dom sem dar a ele, Seu Espírito Santo (que é o verdadeiro Selo). Por sua vez, a Pessoa do Espírito Santo, nos é concedida se recebermos a Jesus como nosso Senhor e Salvador pessoal. Considero a expressão “é impossível que Deus faça”, não uma arrogante negação de Sua gloriosa onipotência. Longe de mim tal pecado! Na verdade, esta expressão no contexto do nosso estudo, representa o fato de que Deus não pode contrariar a Si mesmo e a Sua Palavra eterna.

Agora, amado leitor, vamos entrar num assunto que constitui a base dos exemplos bíblicos no qual o calvinismo se apóia. De fato esses eventos existiram e, compreendidos corretamente, serão para nós exemplos da vontade de Deus, para glorificação de Seu santo Nome. Esses exemplos são de pessoas que foram aparentemente endurecidas por Deus. Vamos começar pelo Faraó citado no Êxodo:

(ACF Ex 4:21-23) “E disse o Senhor a Moisés: Quando voltares ao Egito, atenta que faças diante de Faraó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo. Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que eu matarei a teu filho, o teu primogênito.”

(ACF Ex 7:4-5) “Faraó, pois, não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egito, e tirarei meus exércitos, meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egito, com grandes juízos. Então os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando estender a minha mão sobre o Egito, e tirar os filhos de Israel do meio deles.”

Como temos confiança de que a Palavra de Deus não pode errar, podemos tomá-la como ela está escrita sem temor. Pois, no ensino paciente do Espírito Santo, podemos ver que ela não se contradiz. Entretanto, ao considerarmos o que as Escrituras dizem sobre uma determinada ação de Deus, devemos ter em mente os atributos divinos que as próprias Escrituras afirmam existir. Neste caso específico, devemos nos lembrar que tal é a santidade de Deus, que Ele mesmo não incita (e não pode incitar) ninguém ao pecado:

(ACF Tg 1:13-14) “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”

Ao afirmamos que Deus endureceu Faraó por Suas próprias mãos, introduzimos uma dificuldade intransponível; pois se Faraó pecou por rebeldia contra o Senhor, foi Ele mesmo que o incitou a isso. E isso é impossível.  A questão que se põe não é a existência ou não do livre-arbítrio de Faraó; mas, sim, a santidade de Deus. Confiando que a Palavra não falha, podemos compreender o que ocorre a luz de um outro texto:

(ACF Rm 1:28) “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;”

O que está em conformidade com o texto de Tiago que diz que por sua própria concupiscência, o homem se entrega ao pecado.

A partir de então, podemos nos questionar: se Deus não incitou Faraó ao pecado, como ele se endureceu? Sabemos que o pecado é concebido em nós pela nossa própria vontade. E se Faraó era rebelde contra Deus é porque ele mesmo se achava um deus (uma crença tipicamente faraônica). Essa era a origem das tentações de Faraó. Houve, porém, momentos em que Faraó estremeceu. E isso ocorria sempre que uma praga se findava, quando Moisés orava a Deus em favor do Egito; porém o coração de Faraó se endurecia de novo, trazendo uma nova rebeldia. Esse ciclo durou até a última praga, onde Faraó finalmente cedeu.

Se o amado leitor observar as Escrituras em Ex 12:30-33 e Ex 14:4-5, vai perceber uma nova e repentina mudança no coração de Faraó. Esta mudança repentina é a chave para compreendermos o que aconteceu. Porque sabemos que é Deus que controla os eventos; isso inclui a medida de nossas tentações. A luz do que já aprendemos e lemos nos textos sagrados, podemos facilmente concluir que o endurecimento citado no texto, ocorreu porque o próprio Deus entregou Faraó a uma grande tentação de seu próprio coração; de modo que Deus sabia que ele iria cair. O que está em conformidade com o trecho em Romanos. Ou seja, Deus apenas permitiu que o coração enganoso de Faraó tivesse grande poder sobre ele. Por isso a mudança repentina. Eu e o amado leitor sabemos que as nossas tentações sempre são repentinas.

Em outras palavras, o erro não procedeu de Deus. Mas com sabedoria, Deus comandou a medida da tentação sobre Faraó. Repentinamente Faraó caiu pelo que havia no íntimo de seu coração (o desejo de ser deus e manter-se no trono); e Deus permitiu que isso ocorresse. Como também Ele decidiu quais seriam as conseqüências dessa rebeldia. O pecado é de Faraó; a permissão é de Deus. Por isso que se diz que Deus endureceu o coração de Faraó; não que Ele o tenha incitado ao pecado, mas porque Ele pode dirigir a intensidade dos eventos.

A resistência do homem contra Deus, está sob o controle do próprio Deus. Neste caso, está servindo para a revelação da glória de Deus aos hebreus. Deus faz com que Faraó endureça, para que os hebreus vejam Seu livramento milagroso; o livramento de um sofrimento que o próprio pai deste Faraó criou e ele perpetuou. E Deus faz isso também para vingar os sofrimentos de Seu povo; pois da mesma forma que o Egito matou os bebês do sexo masculino dos hebreus, Deus matou os primogênitos egípcios. Isso é justiça. Porém, isso foi circunstancial; se deu apenas para aquela geração dos egípcios a um grupo específico de pessoas.

Outro exemplo de endurecimento dirigido é o caso da rejeição dos judeus ao seu próprio Messias. Neste caso, como já foi demonstrado, o endurecimento serviria para depois da glorificação do Senhor Jesus, quando Seu nome seria revelado aos gentios.

Sabendo que Sua morte seria por mãos dos sacerdotes judeus, o Senhor propositadamente falou por parábolas ao povo; para que os fariseus e os saduceus, ouvindo a Palavra, não se convertessem entendendo-a. Isso possibilitou a obra redentora de Cristo por meio de Sua morte. Mas, isso foi também circunstancial; a Palavra mostra, logo após a ascensão do Senhor e o início do ministério dos apóstolos, a vontade de Cristo de salvar Seus próprios algozes (At 4).

Porque Deus endureceu a Faraó? Porque Deus endureceu a Israel? É simples: Porque a medida do nosso pecado têm limites aos olhos de Deus (Is 1:14). O Egito comandou um genocídio contra os hebreus e fadigou o povo em meio a uma insana escravidão; e o Egito merecia vingança por isso. E Israel foi rebelde durante séculos . O assassínio de Cristo, o próprio Filho Eterno de Deus é uma prova; tanto que as Escrituras testificam contra aquela geração de Israel:

(ACF Is 65:2) “Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos;”

Essas circunstâncias excepcionais da parte de Deus, foram motivadas por uma contínua rebeldia livre; ou seja, por uma contínua obstinação humana em manter seu coração deliberadamente endurecido contra Deus. Este é o endurecimento deliberado, ou livre, do homem contra Deus. Então: o endurecimento dirigido, não é alguma tentação ao pecado incitada por Deus – o que é impossível – ou uma condenação eterna; mas é uma tentativa divina de humilhar o homem para fazê-lo voltar-se a Ele. E isso é expresso como se segue:

(ACF Ex 36:26) “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.”

Porém nem todos se convertem e, na sua morte, são condenados eternamente.

Um outro exemplo seria o próprio Judas Iscariotes. Ele conviveu três anos e meio com o Senhor; ele ouviu palavras da boca do Senhor que nós jamais conheceremos; ele viu obras das próprias mãos do Senhor, das quais nenhum homem após aquela geração viu. Isso denota que Deus fez o possível para convencê-lo. Mas uma vez que ele não se convertia Deus, lamentando, o deixou entregue nas mãos de Satanás (Jo 13:21, Jo 13:27 e Lc 22:48). E, ainda assim, ele teve uma oportunidade para orar e pedir perdão a Deus; mas ele preferiu suicidar-se (Mt 27:4-5).

Portanto, na nossa persistência no pecado, endurecemos a nós mesmos; mas é Deus que permite todas as coisas que o homem vive.


Jacó e Esaú

 

(ACF 9:11-13) “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú.”

No capítulo anterior, vimos que podemos confiar na Palavra de Deus, pois ela jamais se contradiz. Entretanto, atentando para o ensino do Espírito Santo, devemos sempre relembrar os atributos de Deus. Diante desse versículo e de posse do que já aprendemos, podemos inferir calmamente que os sentimentos de Deus, são diferentes dos sentimentos dos homens. Um famoso exemplo é o arrependimento divino, que é expresso como se segue:

(ACF Gn 6:6) “Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração.”

Esse é o início da história de Noé e o dilúvio universal. Olhando para este versículo acima, tendemos a pensar que Deus compartilha do sentimento humano de arrependimento. Porém não é assim; pois, se Deus arrepende-se como um homem, nós não existiríamos hoje. Porque o arrependimento humano demanda mudança de atitude. Deus não mudou sua atitude preservando a família de Noé; Deus não mudou Sua atitude preservando um casal de cada espécie terrestre. Diante disso, podemos inferir que o arrependimento divino não é compartilhado pelo homem, porque é distinto dele. E observando atentamente, podemos ver que é mais  parecido com uma lamentação humana.

Outro exemplo é o amor de Deus. Deus não compartilha do amor humano, pois este está sujeito a rancores e mágoas. E o ser humano, não consegue amar indistintamente, pois somos carregados de preconceitos. Algumas vezes, o ser humano nem consegue amar! O amor de Deus não é assim: é incondicional, fiel, abundante, paciente, etc.

Portanto, podemos concluir que o ódio citado não corresponde ao ódio humano. Do contrário, Esaú teria morrido; isso porque o ódio humano é essencialmente homicida. Mas isso ficará mais claro, a medida em que esmiuçarmos a história de Esaú e Jacó (Gn 25-33).

Como Esaú era o primogênito e desenvolveu-se como um exímio caçador, seu pai Isaque tinha uma preferência amorosa por Esaú. Isso era terrível, pois fazia com que Jacó sofresse muito; de modo que Jacó, movido de inveja, enganou a Esaú para tirar-lhe a primogenitura. A qual, aos olhos de Jacó, era o motivo pelo qual seu pai Isaque tinha predileção pelo seu irmão. Agora se o amado leitor atentar para as atitudes de Esaú, verá que ele mesmo inviabilizou a eleição divina. Porque Esaú casou com duas hetéias, que foram o desgosto dos seus pais. E o fato de Esaú ter casado com descendentes de heteus, impossibilitou qualquer preferência de Deus por Esaú; pois Deus queria que Israel saísse puramente da família de Abraão.

Isso só confirma o desprezo que Esaú sentia pelas coisas de Deus; pois Esaú conhecia a história de seu pai, mais do que Jacó. Esaú sabia que de seus familiares Deus faria uma nação abençoada. E a primogenitura de Esaú era a confirmação disso; mas o desprezo de Esaú pelas coisas de Deus (mostrada na forma como Esaú abriu mão de sua primogenitura), motivou a rejeição de Deus contra ele. Portanto, este ódio é mais parecido com uma rejeição humana, do que com o ódio humano. Tanto que o autor de Hebreus, milhares de anos depois, viria a dizer:

(Hb 12:16) “E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura.”

Entretanto, como sabemos que Deus conhece e autoriza os eventos desde a eternidade, podemos entender porque Deus deu a Rebeca conhecer esses eventos futuros. Isso é demonstrado nos versículos anteriores de Rm 9:13, no início deste capítulo. 

O amado leitor deve entender também que o fato de Esaú ter sido rejeitado por Deus para a promessa foi um ato de justiça a Jacó; pois Jacó foi, até certa medida, rejeitado pelo próprio pai. E Deus se compadece dos mais fracos e não dos mais fortes (como em seu orgulho, Esaú deixou muitas vezes transparecer). Era natural que Deus escolhesse Jacó; não porque ele merecia, mas porque Deus se compadece dos mais fracos. Assim, Jacó pôde perceber que ainda que fosse, até certa medida, rejeitado pelo pai, ele era amado incondicionalmente por Deus. Agora imagine o quão trágico seria para Jacó, amado leitor, se Deus escolhesse a Esaú, confirmando assim a predileção de seu pai Isaque por Esaú!

Mas, Deus é mui digno de ser louvado! Pois, ainda que Esaú tenha sido rejeitado, gerando o ódio deste, Deus restaurou a amizade dos dois irmãos e eles, abençoados em suas trajetórias de vida, perdoaram-se mutuamente. Glórias a Deus nas alturas! Bendito seja o nome do Senhor!

Portanto, está mais do que demonstrado que Deus não odiou Esaú como o homem odeia a seus semelhantes.


Conclusão

    Deus ama o pecador de forma perfeita; não existe rejeição, em vida humana, que proceda de Deus. Ela procede do pecador, para sua própria destruição;

    Jesus morreu por todos, mas só os escolhidos (ver demonstração) são salvos;

    Existe predestinação, mas ela é devido a natureza atemporal de Deus. Os eventos estão determinados, mas eles são essencialmente um conjunto de interações e força divina ativa, conhecidos e permitidos desde a eternidade. Uma dessas interações é o livre-arbítrio humano;

    Os eventos, sendo definidos no contexto da eternidade, não seguem necessariamente uma linearidade. Porque Deus pode vê-los simultaneamente e instantaneamente; mas há, para Deus, distinção de passado, presente e futuro, mesmo sob esse contexto;

    Existe livre-arbítrio, portanto a graça é resistível;

    A resistência a graça, serve aos desígnios de Deus, mesmo que não O agrade;

    É impossível que Deus coloque parcialmente a fé no coração do homem para despertá-la futuramente. Isso exigiria a presença do Espírito Santo;

    Deus tenta salvar o perdido, mesmo sabendo que ele se perderá. Há um momento, no entanto, em que o Senhor já não opera mais no coração deste homem, deixando-o que siga sua própria rebeldia;

    Os exemplos de endurecimento promovidos pelo próprio Deus a determinadas pessoas, foram temporários e serviram a propósitos específicos. E todos os exemplos foram sobre ímpios, na qual Deus deixou que caíssem em seus próprios enganos. Todos os endurecimentos deliberadamente promovidos tiveram, em comum, o cumprimento da obra de Deus e a conseqüente glorificação de Seu Nome. Este tipo de endurecimento é uma expressão da soberania e vontade de Deus. Os demais endurecimentos são conseqüências de rebeldias livres, que provocam a cauterização da consciência no pecador;

    Portanto, o livre-arbítrio humano é uma ferramenta de Deus, para a construção da História do homem. Uma História que foi permitida e definida desde a eternidade.

*A doutrina de preservação dos santos não foi tratada propositadamente, pois eu professo a fé batista. Isso, no entanto, é assunto para um outro estudo.

 

Posfácio: Vendo os Frutos

 

(ACF Lc 6:43) Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.

Ainda que nos falte o conhecimento, podemos estar seguros que o Espírito Santo, segundo as fiéis promessas do Senhor Jesus, nos guia a toda a verdade. Ainda que não tenhamos todas as respostas, podemos estar seguros que o Senhor não nos deixa confundidos.

A igreja primitiva já vivia os últimos dias. E eram dias terríveis de apostasia; os gnósticos investiram contra a Palavra de Deus, tentando falsificá-la. Os nicolaítas tentavam introduzir doutrinas de apologia a sensualidade nas igrejas; e Satanás, de todas as formas tentava destruir os santos. A obra de Deus produz o trigo; mas na surdina da noite, o Adversário de nossas almas planta o joio. E na Reforma não foi diferente. Assim como hoje não é diferente, apesar de que a medida que se aproxima o Arrebatamento, o mundo fica cada vez mais violento e os santos cada vez mais iludidos com um outro Evangelho da avareza e vaidade; e frios em amor.

Calvino de fato revolucionou a Teologia. E ele fez uma elaborada doutrina de predestinação que desafiou o entendimento de gerações de piedosos homens de Deus. Entretanto, os frutos de um homem, revelam suas verdadeiras aspirações e conseqüentemente, podemos atestar sua credibilidade julgando sua suposta piedade. E Calvino não é aprovado nisso.

Calvino deixou que seu coração se enchesse de Satanás, quando pactuou na morte, pela fogueira, de um homem a quem ele acusou de heresia. Este homem, segundo os registros durante seus minutos finais de sofrimento, clamou ao Senhor Jesus pedindo que o Senhor o recebesse em Seu reino. Este homem era Miguel Servet, um médico espanhol.

Não interessa qual seja a heresia que Servet tenha defendido, ou se de fato ele contrariava as Escrituras. Calvino mostrou que jamais foi um convertido ao pactuar e participar ativamente no assassínio dele, sendo seu principal algoz. E, se ele não era convertido, a Reforma Protestante não foi para ele nada mais que uma oportunidade de solapar a Igreja Católica na Europa e usurpar-lhe o poder político e espiritual (que ela jamais teve ou deveria ter tido). E, de fato, nunca Calvino se arrependeu de seu pecado.

E, este “reformador”, ironicamente vítima da Inquisição Católica Francesa, não teve o pudor de instalar um versão protestante da Inquisição, o Consistório em Genebra, Suíça. Esse Consistório, perseguiu e matou várias pessoas; adotou métodos de tortura e conversões forçadas, em nada distintas dos romanistas que assolaram a Europa durante a Idade Média. Portanto, Calvino definitivamente não é digno de crédito.

É por esse vil exemplo, tanto de Calvino e seus seguidores próximos em Genebra, quanto pelos romanistas, que a Europa Continental tem um sentimento crescente de aversão às religiões, atualmente. Pois o nome do Senhor continuamente blasfemado por esses falsos cristãos, que não sendo templos do Espírito, eram na verdade templos do Inimigo. E isto foi a causa  de muito das obras satânicas que mergulhariam a França num sanguinolento Terror, na Revolução Francesa; que destruiriam a fé de milhões de piedosos homens de Deus com o Humanismo e o Darwinismo do Século XIX. E, que por fim, mergulharia o mundo nas sombras das duas maiores guerras da História, no Século XX; cujas conseqüências, somos até hoje, capazes de observar. Lembre-se, amado leitor que todos esses problemas começaram naquele Continente.

Portanto eu oro para que o Senhor Deus tenha uma amorosa misericórdia de nós, para que jamais a soberba e a vaidade desta vida enganem os nossos corações. Pois, como dizem as Escrituras: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos”. E  que Deus conceda ao amado leitor, todo o entendimento e sabedoria, para que, cientes de nós mesmos, possamos louvar ao Senhor com toda a humildade e dignificá-Lo com toda a reverência, com o qual Ele é digno. Em nome de Jesus, amém.

 

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